Paul Durand-Ruel nasceu em 31 de outubro de 1831, em Paris, e morreu em 5 de fevereiro de 1922 aos 90 anos. Ele não era um artista…Mas foi um dos mais importantes incentivadores das artes!
Ruel era um comerciante de arte, vindo de família de marchands, abriu várias galerias, e ficou viúvo muito cedo, tendo que criar seus 5 filhos sozinho…

Na década de 1870, ele já era muito conhecido e entrou em contato com um grupo de artistas franceses que estavam vindo com inovações e ideias que não agradavam a vários críticos de arte. Um desses era Manet! Entre eles, também estavam Renoir, Degas, Monet, Pisarro. Ruel ficou impressionado e comprou várias obras, principalmente de Monet. Para quem não sabe, os artistas ganham salários dos galeristas para poderem trabalhar tranquilamente, mas isso aqui no Brasil é raro!
Ruel conseguiu um coleção incrível e fez uma exposição em Paris para apresentar as obras…Ele foi vaiado e o público ia na galeria para rir, além dos críticos e galeristas colegas o criticarem duramente!

Durante 20 anos ele viveu essa situação, mas comprava as obras e deixou inclusive que os artistas fizessem exposições de graça em suas galerias. Era conhecido como o mais feroz defensor dos “impressionistas”, nome dado aos artistas como chacota, por críticos impiedosos.

Ruel abriu também uma grande galeria em Londres, levando tanto os clássicos artistas ingleses, como os novos franceses, tendo uma repercussão melhor que em Paris. Mas por conta de uma exposição comemorativa em Nova Iorque, Ruel levou os primeiros quadros impressionistas para a América. Os americanos estavam vivendo um período áureo, cheio de novos ricos, de pessoas interessadas em aprender, com muito dinheiro para empreender e que se consideravam mais abertos que a “velha Europa”. Estavam “famintos” por novidades e, entre eles, existiam grandes colecionadores.

Ruel e os artistas tiveram um êxito incrível, o que o salvou, pois ele era um dos maiores colecionadores de arte impressionistas e tinha um acervo enorme com obras que vendiam muito pouco e eram absolutamente incompreendidas! Aliás, não só as obras, mas os artistas…Ruel ficou amigo de muitos deles, recebendo todo o crédito pela luta para que reconhecessem a arte impressionista.

O movimento impressionista e a arte moderna deve muito a ele, aos seus esforços e a coragem de enfrentar os colegas e o público, pessoas que absolutamente não conseguiam assimilar todas as mudanças que o mundo estava passando, e tudo o que o impressionismo serviria de portas para vários movimentos artísticos importantes.
Devo dizer, que escrevendo esse texto pequeno, não consigo passar por palavras a emoção que senti quando descobri a história dele! Quantas e quantas vezes, eu e meus colegas artistas não nos sentimos incompreendidos e tivemos que vender obras a preço mínimo ou não ter onde expor…Quantos encontram um galerista ou um colecionador que tenha a coragem de investir e mostrar a obra? Quantos acreditam que a arte importa?
Bem, não preciso dizer que Ruel foi muito feliz no final, pois ele estava certo e sua missão foi cumprida: apresentar ao mundo artistas que hoje valem centenas de milhares de dólares como Renoir! Ele acreditava que sempre os originais e mais criativos eram os menos conhecidos…Isso até dá um certo consolo!
Espero que tenhamos mais pessoas como ele no mundo, mais incentivadores, mais gente para dar força para a arte…Assim espero! E desejo fervorosamente…
Ótima semana a todos!
Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.
Fotos: Reproduções da internet

