Telma Elorza e Filipe Muniz
Equipe O LONDRINENSE
Desde que o menino Arthur Araújo Lula da Silva, de 7 anos, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, morreu no último dia 1º, vítima de meningite meningocócica, em Santo André (SP), a procura por vacinas para os variados tipos da doença disparou em Londrina. Depois de outra morte, confirmada terça-feira (5), de um adolescente de 16 anos, em Francisco Beltrão (PR), houve praticamente uma invasão nas clínicas de imunização particulares, atrás de vacinas de Meningite tipo B e ACWY (conjugada para meningite A,C, W e Y), não disponíveis na rede pública.
A empresária Leila Silva, 38 anos, foi uma das mães que passaram a tarde atrás de vacina. Segundo ela, foi na Unimed e em algumas clínicas, mas o estoque tinha esgotado. “Estou indo agora para o (Hospital) Evangélico, torcendo para chegar lá e ainda ter a vacina. Pode não ser nada, mas não quero arriscar a saúde do meu filho”, justificou.
Profissional de saúde, Micheli Galatti, 35 anos, veio de Primeiro de Maio, com os dois filhos – um menino de 3 anos e a bebê de 15 meses – para vacinar em Londrina. Passou pela clínica de imunizações da Unimed, que não tinha mais vacina, e foi para a do Hospital Evangélico, onde conseguiu as doses contra Meningite B. Pagou R$560 cada. E volta em maio para o reforço. “E ainda faltou a ACWY, que estava R$320 em média. Liguei para várias clínicas e esse é o preço médio”, disse.
Segundo Micheli, ela optou pela B porque sabe que é o tipo mais letal. “Teve uma morte em Campo Mourão (sic) e nós, da Saúde, sabemos que tem mais duas crianças internadas com os sintomas”, explicou. Ela conta que sabe a dor de perder um filho e não quer passar por isso de novo.

As mães criticaram a falta de vacina na rede pública de saúde. Segundo elas, lá só se encontra contra o tipo C. O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, diz que a disponibilização das vacinas estão sob o comando do Programa Nacional de Imunização (PNI). “Neste contexto, a oferta de vacina, dentro do calendário básico instituído, se dá através de análises técnicas sob o agentes infeccioso prevenível por vacinação. Em relação às meningites, o SUS dispõe de quatro vacinas, inclusive a Meningocócica tipo C, a que vitimou o neto do ex-presidente”, afirmou. As outras três vacinas disponíveis são Pneumo-10-Valente, Haemophilus influenzae e BCG (contra tuberculose grave que pode evoluir para meningite). De acordo com o secretário, o vírus da Meningite B não circula há mais de cinco anos.
Machado também garante que o estoque disponível na rede pública é suficiente para atender o público-alvo, crianças menores de cinco anos, com reforço para crianças entre os 9 e 11 anos.
Estoque que não dura
A procura está sendo muito grande e a rede particular não está dando conta. “As doses que a gente tinha para trabalhar durante sete a 10 dias acabaram em um dia. Nós recebemos um lote hoje e já esgotou”, contou Naiara Baldy, enfermeira responsável pela Clínica de Imunizações Dr. Baldy. “Nós temos parceria com os laboratórios, então não temos problemas de falta de vacina, mas muitas clínicas no Brasil não estão conseguindo encontrar”, disse.
De acordo com ela, a tabela de preços não mudou depois que aumentou a procura. A vacina contra o meningococo do tipo B custa R$ 570, enquanto a do tipo ACWY está na faixa de R$ 335 a R$ 355.
Na Clínica de Vacinas da Unimed Londrina não foi diferente, ontem o estoque esgotou e nova remessa deve chegar só hoje. Em janeiro, somando os números dos dois tipos de vacina, a Unimed realizou 327 imunizações na clínica. Em fevereiro, foram 294. Já em março, 207 doses foram aplicadas em apenas três dias. A empresa não informou o custo de cada dose.
A vacina pode ser aplicada dos três meses de idade até os 59 anos. Essa idade final varia conforme os fabricantes de cada medicamento. Segundo a enfermeira, a primeira dose da vacina B é dada aos três meses, depois aos cinco e sete, com um reforço aos 14 meses. Já a vacina ACWY é aplicada também aos três meses, novamente aos cinco meses e o reforço é feito com um ano e dois meses.
Naiara contou que os principais imunizados pela vacina estão sendo bebês, crianças e adolescentes. “Ela também afeta os adultos, mas se você vir os números de casos da doença, ele é muito maior em bebês, crianças e adolescentes”, disse.

