A Vida Invisível precisa estrear em Londrina

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O novo filme do diretor Karim Ainouz, A vida invisível (drama/romance) é uma adaptação do mesmo do livro de Martha Batalha, ‘A vida invisível de Eurídice Gusmão’ (2016). O filme se aproxima do melodrama norte americano dos anos 50 e está sendo autodenominado como um melodrama tropical.

O roteiro conta a história de Eurídice, uma jovem introvertida, e sua irmã mais velha, Guida, socialmente oposta à personalidade de Eurídice. A irmãs vivem em um forte regime patriarcal, motivo para que tomem rumos diferentes em suas vidas. Desta maneira, a trama define a vida de mulheres que lutam em um universo totalmente machista.

Ainouz se aproxima do Fassbinder melodramático quando mergulha nos pequenos dramas domésticos esmiuçando a intimidade de cada personagem. Melodrama, mas no sentido mais positivo possível. O filme conta com longas cenas de sexo, com uma paleta de cores da fotografia que intensifica a tropicalidade, onde tudo transpira e transborda.

A vida invisível é uma obra madura de um diretor também maduro e competente que trabalha com o gênero melodramático, mas trata de um assunto muito pontual, a invisibilidade das mulheres no mundo do falo. Rodado no Rio de Janeiro, com seu clima abafado que se apresenta no filme todo e, ao contrário do ‘Céu de Suely’, filme de Ainouz de 2006, nesta película o tempo é vivido com fruição e não em cortes abruptos, metáfora adequada ao filme.

A película conta com a participação de Fernanda Montenegro. O diretor habilmente trabalha a linha temporal do roteiro, mostrando uma personagem castigada pela saudade a vida toda. A atriz interpreta de maneira irretocável e comovente a personagem. Esta atuação de Fernanda Montenegro é, para o cinema brasileiro, inesquecível.

Quer seja pela temática, pela direção de arte belíssima que reconstrói o Rio de Janeiro romântico dos anos 40, pela direção de Ainouz, ou pela participação de Fernanda Montenegro, o filme é imperdível. Só falta estrear na nossa cidade invadida por sessões da tarde.

Foto: Divulgação

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

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