Lino Batista de Oliveira (*)
O conceito de bioética data de 1927, mas foi na década de 1970, nos Estados Unidos, que a disciplina ganha status de ciência. Posteriormente, na década de 1980, a bioética chegou à Europa e, nos anos de 1990, na Ásia e em países em desenvolvimento, dentre eles o Brasil.
Já na sua origem, de maneira ampla, a bioética foi definida como a ciência da sobrevivência humana, em uma perspectiva de promover e defender a dignidade humana e a qualidade de vida, ultrapassando o âmbito humano para abarcar, inclusive, a realidade cósmico-ecológica.
O objetivo da bioética é o de trabalhar a favor da sobrevivência do ser humano e do meio ambiente do qual ele depende. V. R. Potter entendia a bioética não somente como um saber teórico, mas também como fonte e combinação de um tipo de sabedoria que proporciona à humanidade pautas gerais que indicam como fazer uso racional da grande quantidade de conhecimento acumulado pelas diversas especialidades do saber. Deve ter, portanto, um papel de bússola para guiar e orientar as políticas públicas na obtenção do bem social. A “sabedoria é uma guia para a ação e não meramente a ‘posse’ do conhecimento”, dizia Potter.
Metodologicamente, a bioética é marcadamente dialógica e transdisciplinar, respeitando o contexto pluralista em que nos encontramos, em que o diálogo e tolerância são ingredientes fundamentais no processo de construção do saber. Este ponto é absolutamente importante, já que os grandes problemas que o ser humano enfrenta nas mais diversas áreas de conhecimento devem ser vistos e analisados a partir desses diversos campos, buscando uma convergência da relação ética de todos os saberes em torno do cuidado da vida.
Deste modo, a bioética abre espaço para a reflexão, para integrar a ciência e a vida, o conhecimento e a moralidade, os problemas vitais da humanidade do presente e do futuro. É uma ferramenta importantíssima na luta pela valorização da vida humana, da sua dignidade e da liberdade, impedindo a eugenização e a coisificação do ser humano. As suas preocupações principais são: a prudência no agir humano; a postura ética como base para a conduta de usuários e profissionais biomédicos; os critérios jurídicos que salvaguardem a liberdade humana, a dignidade, a segurança e o bem-estar social.
(*) É professor e doutor em Filosofia, padre e coordenador do curso de Teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR) Câmpus Londrina.
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