Voto feminino: conquista completa 90 anos no Brasil

Duas mulheres na política londrinense falam sobre a importância da data e da luta, que ainda não terminou.

Telma Elorza

O LONDRINENSE

Dia 24 de fevereiro é uma marca histórica para as mulheres brasileiras. Nesse dia, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas assinou o Código Eleitoral que deu o direito às mulheres para votarem e serem votadas. Segundo a Agência Senado, documentos guardados no Arquivo do Senado, em Brasília, mostram que os parlamentares retardaram ao máximo a inclusão das mulheres na vida política. Das primeiras discussões sobre o voto feminino até a inclusão das mulheres na politica, foram 40 anos! A luta, no entanto, ainda não acabou.

Segundo a educadora Poliana Santos, que concorreu a uma vaga na Câmara de Vereadores de Londrina, nas últimas eleições, os 90 anos do voto feminino no Brasil traz consigo algumas reflexões que pontuam que a sociedade ainda tem um longo caminho à percorrer para alcançar a equidade de direitos entre as pessoas. “Um país que já ultrapassou mais de 500 anos de existência demonstra, através de sua história, que as poucas conquistas sociais são muito recentes e apesar de serem dignas de comemoração, ainda possuem uma complicada realidade. Compreender o quão pouco tempo as brasileiras alcançaram o direito de participar da vida política do país é pensar para além da possibilidade do poder de voto, mas como esse voto tem poder”, diz.

Segundo ela, em um cenário machista em que as mulheres sempre foram designadas ao privado e isoladas do público, os homens sempre se fizeram detentores das decisões políticas da sociedade invisibilizando todas outras vozes. “Quando o Movimento das Sufragistas consegue internacionalizar essa luta das mulheres, aqui nas terras tupiniquins a professora Celina Guimarães se torna um marco como a primeira eleitora brasileira, em 1927, requerendo sua inclusão no registro de eleitores de Mossoró. O Rio Grande do Norte foi o primeiro estado a estabelecer a não distinção de sexo para se votar”, conta.

“E a lista de mulheres que encabeçaram esses primeiros tempos de ocupação política brasileira seguem por meio de nomes como Alzira Soriano, a primeira prefeita do país. A advogada feminista Bertha Lutz, parlamentar nos anos 30, a jornalista e professora Antonieta de Barros, primeira parlamentar negra, assumindo como deputada em 1935 e demais mulheres que combateram e combatem até hoje o sexismo, machismo e lgbtfobia do sistema brasileiro”, afirma.

Segundo a educadora, mesmo com as lutas durante esses 90 anos, as mulheres ainda são utilizadas dentro do meio político como ferramenta para a perpetuação do poder masculino, de características gerais brancas, héteras e ricas. “E aquelas que se opõe às opressões tendem a realizar seus trabalhos diante do dobro de esforço, desconfiança e especulações por boa parte da população, como Duda Salabert, Linda Brasil, Erika Hilton, Carol Dartora”, explica. Para ela, é dia de comemorar, porém, mais que isso, “resistir e reconstruir uma política que oportunize o devido protagonismo da mulher na política e, diante disso, relembro para que ela nunca deixe de ser citada como inspiração: Mariele Presente”.

Para a vereadora Lenir de Assis (PT), mais que comemorar, ainda é preciso lutar para assegurar igualdade na participação política. “Em outubro, nós, mulheres, seremos mais de 77 milhões votando. Somos a maioria do eleitorado brasileiro, 53%. Uma conquista que devemos à aquelas que vieram antes de nós e lutaram para que hoje tenhamos este direito assegurado. Um direito extremamente recente, que é um marco na nossa luta por igualdade de gênero. Mais do que celebrar esta conquista, precisamos honrar as mulheres que estiveram à frente dela, dando continuidade a esta luta. Agora, por igualdade na participação política. O país onde 53% de votantes são mulheres é o mesmo que em toda a sua história elegeu apenas uma mulher, Dilma Rousseff, como presidente da República. É o mesmo que ocupa a 142ª posição, entre 192 países, no ranking de participação política de mulheres”, diz.

Foto: FGV/CPDOC

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