Você sabe o que é cutting?

Cutting ou automutilação é o ato de provocar feridas no próprio corpo de forma consciente. Quem pratica a automutilação tem maior chance de cometer suicídio

Setembro veste a cor amarela para lembrar-nos da importância de discutir a saúde mental e a prevenção ao suicídio. Nos últimos anos, o debate sobre o suicídio ganhou mais espaço e menos estigmatização. Há alguns anos, havia uma blindagem a respeito do assunto, principalmente, nos meios de comunicação.

O assunto é sério e não pode sair de pauta. Mais de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano no mundo inteiro. É a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Atualmente, uma das “novas formas” de suicídio entre os jovens de 13 a 17 anos, é o cutting ou automutilação.

Pesquisadores e especialistas em saúde mental identificaram grupos em redes sociais e fóruns virtuais que incentivam a prática. Neles, os adolescentes compartilham os próprios ferimentos, mostram as cicatrizes que fazem “aniversário” e relatam quais lugares sentem mais dor. As motivações para se machucarem? Metas não alcançadas tais como boas notas, pertencimento a um determinado grupo social na escola, emagrecimento e assim por diante.

Para simplificar, é mais ou menos assim: o adolescente está sofrendo tanto emocionalmente que se machuca como forma de compensação. A automutilação é uma forma de pedir socorro.

Esse tipo de distúrbio é preocupante e precisa ser olhado com cuidado. Há similaridades entre alguém que agride o próprio corpo e quem pratica o suicídio: ambos querem cessar a dor emocional de qualquer maneira, sem necessariamente fazer mal a si mesmo.

Familiares e educadores devem ficar atentos a qualquer mudança significativa de comportamento dos adolescentes bem como o uso de roupas que, porventura, escondam braços e pulsos, por exemplo. Se isso estiver acontecendo com alguém da sua família ou com você, procure ajuda. Busque um psiquiatra.

Alessandra Diehl

Psiquiatra, educadora sexual, especialista em sexualidade humana e em dependência química. Vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Sobre o Álcool e Outras Drogas

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