Você é um alienado?

Por Fábio Luporini

Enquanto a Rússia bombardeia a Ucrânia numa infundada guerra contemporânea, os brothers discutem sobre em quem vão votar no próximo paredão. Se o BBB é um programa de entretenimento que reflete um pouco a sociedade em que vivemos, o alheamento também é uma dessas características. E não pense que este texto seja uma crítica ao BBB, o qual eu considero cumprir uma função social ao nos fazer pensar e refletir sobre diversas questões e diversos aspectos. O que é mais preocupante é ver pessoas não confinadas, com acesso a informações de qualidade, completamente alheias ao que se passa do outro lado do mundo, inclusive presas a ideologias de WhatsApp, que não deixa der ser uma espécie de confinamento moderno.

O termo filosófico “alienação” talvez se encaixe melhor para explicar o que acontece com muitas pessoas. Usado pela primeira vez pelo alemão Friederich Hegel (1770-1831), o conceito foi pensado para definir alguém que alheio a outrem. Anos mais tarde, foi amplamente usado por Karl Marx para designar o trabalhador que não se reconhece no seu próprio trabalho, ou seja, está completamente alienado acerca do valor do que ele mesmo faz. Hoje, podemos dizer que alienado é quem está totalmente perdido sobre algum assunto ou alguma situação. No caso, quem não se dá conta do que está acontecendo no mundo, como na guerra da Rússia contra a Ucrânia.

É por isso que eu discordo totalmente da máxima popular que diz que não se discute política, religião ou futebol. Isso faz com que as pessoas sejam ainda mais alienadas, o que não é bom para ninguém. O problema não é discutir. O problema é não saber discutir. Afinal, as pessoas cegam-se pela paixão inútil a uma ideologia política, a uma ideologia religiosa ou a um time de futebol e, assim, não querem ouvir o outro lado ou não aceitam argumentos contrários. Pior é quando utilizam teorias construídas sobre argumentos falsos amplamente difundidos pelo WhatsApp. Nesses casos, temos pessoas muito mais alienadas do que os Brothers confinados, que não veem o que está acontecendo ao redor do mundo.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: TV GLOBO

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