Tic-tac é uma das grandes tendências dessa quarentena e isso me faz querer afundar debaixo da coberta

Sim, o tic-tac ou tique taque, as presilhinhas que fazem clique voltaram a ser sensação. Muita gente famosinha e influencer está usando à mostra, como ponto focal do penteado – inclusive de forma bem chamativa e usando várias.

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Eu me sinto meio boba falando sobre isso, confesso. Sei que o momento é difícil e as pautas estão escassas, mas ver isso como matéria de grandes revistas que falam sobre moda, inclusive, é triste e frustrante.

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Adoro presilhas, amo tic-tac e nunca deixei de usar. Uso sobretudo pra prender a franja e fazer topetinho com ela, bem à la anos 90. Li uma das matérias falando sobre isso e aproveitei pra desenterrar as maiores e mais coloridas, brincar com o cabelo e fazer composições legais com meus pijamas e roupas de ficar em casa, pra me divertir e descontrair um pouco – minha filha de 7 anos adorou a brincadeira e criou vários penteados legais pra mim.

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Mas é isso. Estamos nos aproximando cada vez mais do pico da pandemia, finalmente chegou nossa vez e Londrina se vê obrigada a apertar um pouco mais a quarentena. Meu estado de ânimo provavelmente vai me fazer esquecer os penteados legais com presilhinhas e eu vou acabar não usando – nem pra sair pra minha corrida semanal ao mercado.

E mais que isso: acho que, após passar por todos os estágios de negação e aceitação desse período horroroso e caótico, finalmente estou clamando por uma atmosfera com um pouco mais de sonho e respiro – nem que seja da porta de casa pra dentro.

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Cadê a moda como forma de resistir e sobreviver a momentos difíceis? Cadê a moda exageradamente conceitual, que serve pra gente pensar e refletir, mesmo sabendo que nunca vai usar uma peça daquelas na vida?

Começo a entender os designers e diretores criativos que mudaram coleções e campanhas inteiras pra trazer algo que remeta a um futuro melhor, que sirva como fuga desse cenário horroroso em que estamos vivendo. Acho que agora quero as formas bonitas e mirabolantes, os saltos delirantes, as mangas cênicas bufantes… brilho, suspiro, sonho – e não, isso não inclui os biquínis cafonérrimos com flores naturais como os que estão bombando no Instagram.

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Enquanto não vem algo mais, me esbaldo nas séries e docs sobre moda das plataformas de streaming. Me encerro nos livros, nos catálogos, nas revistas. As principais tendências e paletas para o amanhã, já conhecemos através das pesquisas. Falo com a Ângela e a gente percebe que já quer de volta moda e arte feita por gente com a cabeça nas nuvens, para inspirar dias melhores.

Espero que não esteja longe de isso acontecer, de aparecer algo realmente arrebatador, que encante a alma. Seguirei aqui, esperando e brincando de arrumar cabelo com presilha, usando tic-tac pra prender franja e arrematar tranças. Torcendo pra gente conseguir resistir e sobreviver também a essa catatonia estética e fashionista…

Ana Paula Barcellos

Formada em História pela UEL, trabalhou 10 anos como escritora para blogs e sites sobre cultura e lazer. Atualmente, trabalha com marketing digital e pesquisa de tendências e, junto com Angela Diana, é proprietária da Rosita, marca de acessórios.

Foto: reprodução da internet

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