Tia Telma Responde – Vibrador vicia?

histeria

Eu achava que iria escrever uma coluna semanal e tudo bem. A gente se divertiria e esperaria a próxima. Mas está chegando tanta pergunta para Tia Telma responder que poderia fazer uma por dia pelos próximos 15 dias. Então vamos para mais uma coluna, tentando esclarecer suas questões.

Vibrador é bom demais. Se beijasse na boca, pelo menos metade dos relacionamentos homem/mulher terminariam. Brincadeirinha. Esse brinquedinho deveria fazer parte do arsenal de toda mulher. Por que? Porque ele está ali, sempre disposto a satisfazer, sem nenhuma exigência, sem nenhuma neurose, sem nenhum dos pontos negativos de um homem, incluindo aí a cueca furada e o cheiro de cerveja depois de um dia de churrasco, quando o cara fica com tesão e quer transar de qualquer maneira. Uma mão na roda.

Para quem não sabe, os vibradores foram criados na Era Vitoriana na Inglaterra, inventados por médicos como uma cura para a “histeria” feminina. Na época, a comunidade médica (essencialmente masculina) acreditava que as mulheres poderiam ser acometidas de uma doença nervosa chamada “histeria”, que teria origem no útero e poderia ser curada com orgasmos. A medicina moderna desqualificou essa teoria, mas os vibradores continuaram e se modernizaram. Sorte nossa.

A invenção desse aparelhinho miraculoso foi retratada no filme inglês “Histeria”, lançado em 2012. Dirigido por Tanya Wexler, a comédia romântica mostrou como os homens desconheciam o funcionamento do corpo feminino e não estavam preparados (e boa parte continua despreparada) para dar prazer a suas parceiras.

Agora voltamos a questão principal: vicia ou não. A princípio, não. Ele pode ser usado na frequência em que a mulher desejar sem criar nenhum tipo de vício. Pelo contrário. Quanto mais a mulher se masturbar, mais ela conhece seu corpo, mais preparada vai estar para ter prazer numa relação a dois. Masturbação feminina – com ou sem vibradores – não é pecado e não deveria ser tabu.

Porém, como na masturbação masculina, não deve nunca substituir o sexo a dois. Deixar de transar com o amigo colorido, namorado ou marido para se relacionar exclusivamente com o vibrador é problema. Se isso está acontecendo, melhor procurar ajuda especializada.

Foto: Filme Histeria/Divulgação

Telma Elorza

Jornalista profissional, palpiteira e galhofeira. Adora dar pitaco na vida dos outros enquanto vai levando a sua na flauta.

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