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Perdi uma perna e minha vida sexual. O que faço?

Por Telma Elorza

“Sofri um acidente há dois anos e perdi uma perna. Logo depois, meu namorado de anos me deixou. Justificou que não conseguia ter tesão mais por mim. Isso abalou mais minha autoestima, que já estava comprometida com a perda da perna. Desde então, não consigo me ver bonita o suficiente para arrumar outro namorado ou, até mesmo, apenas alguém para fazer sexo. Já pensei até em contratar um garoto de programa, mas tenho medo dele me olhar com nojo. O que faço para sair dessa situação? Quero tentar ter uma vida.”

A questão dessa semana foge um pouco do que o leitor fiel desta coluna está acostumado a ver por aqui. Mas acredito que é um questionamento válido para a Tia Telma. Afinal, a coluna não vive só de sexo, é também para discutir comportamentos. E o dessa leitora me afligiu, porque ninguém merece ter sua autoestima esmigalhada por outra pessoa.

A sociedade cobra da mulher que ela esteja sempre bonita, bem arrumada, com corpo malhado, sem rugas, sem cabelos brancos aparecendo (ainda bem que algumas estão mudando este último parâmetro, eu inclusive kkk), sempre jovem. Ou seja, cobra a perfeição num mundo imperfeito. A perda de um membro ou um seio, por exemplo, arrasa com a autoestima de qualquer pessoa, embora não haja culpa nenhuma por isso. Mas, para uma mulher já tão abalada pelos padrões impossíveis impostos, a falta de uma parte do corpo a torna “menos perfeita para o ideal de beleza”.

Junte tudo isso a um namorado extremamente insensível e, na minha opinião, idiota, e temos uma mulher arrasada psicologicamente, se questionando se merece uma vida normal, com amor e sexo. Minha resposta é sim, merece.

Não é uma perna que faz uma pessoa. Se o namorado não conseguiu sentir tesão, imagino que ele estaria com a leitora apenas pelo seu corpo, sem amá-la de verdade. Tenho um amigo que perdeu uma perna e o namorado continuou a seu lado. Aliás, nove anos depois, ainda estão juntos. Por quê? Porque há amor, companheirismo, amizade. E, sim, sexo. Tudo aquilo que faz o relacionamento valer a pena. Tudo aquilo que dá uma base forte, seja num namoro ou casamento. Na minha modesta opinião, a leitora – com o acidente infeliz que a fez perder uma perna – se livrou de um relacionamento que não era construído em nada sólido. Sexo, por mais que seja ótimo, não é suficiente.

Para ela, eu aconselho a buscar uma terapia para trabalhar sua autoestima. Porque ela é mais que sua aparência física. E precisa de ajuda para descobrir isso, precisa trabalhar seu interior para ver que sua vida pode ser ainda mais completa, mesmo sem uma perna. Às vezes, a vida nos dá esse safanão para que percebamos isso. Não é a falta de um membro que deve impedir alguém de ser feliz. Pelo contrário. A vida é preciosa demais para ficar lamentando e se fragilizando por isso. É preciso agarrar ela pelos cabelos e fazê-la sua. Problemas, imperfeições, dificuldade diversas, todos nós temos. Como lidamos com tudo isso é que faz a diferença.

Quando ela estiver bem, psicologicamente falando, vai perceber que pode ter sido uma benção. Porque a livrou de um relacionamento que poderia ser até abusivo. E aí vai estar pronta para tentar sim encontrar um cara legal, para quem a falta de uma perna é apenas um pequeno detalhe num todo muito maior.

Tem dúvidas? Mande sua pergunta para o email telma@olondrinense.com.br

Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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