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Parafilias são mais comuns do que você pode imaginar!

Pensamentos e comportamentos sexuais atípicos, também conhecidos como pensamentos e comportamentos sexuais “não convencionais” ou “não usuais”, são representados por diferentes preferências sexuais em relação a um ou mais objetos não humanos, natureza da atividade sexual ou comportamentos sexuais. A destigmatização de comportamentos sexuais não normativos tem sido vista como positiva em muitas sociedades ao redor do mundo.

Ao contrário do que se poderia esperar, comportamentos sexuais “não convencionais”, tais como gostar de se vestir com adereços do sexo oposto durante a atividade sexual, ter uma certa preferência por pés das parcerias sexuais não são tão raros na população em geral. Estudo transversal de 7022 pessoas, realizado em 18 cidades brasileiras, mostrou que 52,3% dos homens e 30,4% das mulheres haviam praticado pelo menos um dos 10 comportamentos sexuais não convencionais listados ao longo da vida, tais como: sexo em grupo, ménage a trois, swinging, excitação sexual através de atividades exibicionistas.

Alguns destes pensamentos e comportamentos, conhecidos como parafilias, muitas vezes podem causar sofrimento, prejuízo clínico, ter importantes preocupações éticas e implicações para a saúde pública, e este então seriam os limites do natural ou esperado ou adequado para uma condição patológica.

O termo parafilia foi cunhado por Stekel em 1924 em seu livro “Aberrações sexuais”, e pode ser interpretado como o amante de qualquer coisa incomum ou o amor dos ímpios. O Manual Estatístico e Diagnóstico dos Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria (APA), em sua quinta versão, o DSM-5 define interesses parafílicos como interesses sexuais “não normofílicos” ou “anormais”, mas a definição de interesse sexual atípico ainda é controversa. O conceito de parafilia ainda carrega um fardo indesejado de patologização, uma vez que a condição ainda se baseia na suposição da existência de um modelo normativo de sexualidade.

No DSM-5 o termo parafilia é apresentado como qualquer interesse sexual intenso e persistente que não seja a estimulação genital ou as carícias entre parcerias humanas que podem consentir e têm maturidade física, com fenótipo normal. Portanto, pensamentos e comportamentos parafílicos não são propriamnete um “desvio da normalidade”.

Assim, uma variedade de comportamentos sexuais consensuais convencionais e não convencionais são predominantes, mas não necessariamente indicativos de um transtorno mental. Atualmente, sabe-se que nem todos os comportamentos de parafilia são um transtorno parafílico propriamente dito e a maioria das pessoas com interesse sexual atípico não precisa de auxilio de profissionais da saúde mental.

Muitas pessoas leigas e até mesmo profissionais de saúde mental ainda parecem ter dificuldades em assimilar que algumas práticas sexuais são apenas variantes e não uma doença ou transtorno e, infelizmente, seguem utilizando os mesmos rótulos ultrapassados de “aberrações sexuais” para compreender pessoas que gostam de práticas sexuais variantes.

Dentro dessa perspectiva, parece que a educação sexual e a quebra de paradigmas estigmatizadores são extremamente necessárias para melhor compreensão das muitas facetas da sexualidade humana.

Alessandra Diehl

Psiquiatra em Londrina, educadora sexual e especialista em sexualidade humana

Foto: Pexels

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