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“Era jovem, podia ter dado mais por aí”

Por Telma Elorza

“Porra, pra quê casar com 25 [anos]? Mas se arrepende? Não, em absoluto, até porque eu tenho um casamento muito bom. Mas era jovem, podia ter dado mais por aí. Tentei dar, dei um pouquinho e comecei a namorar. Idiota”.

Hoje não tem pergunta para responder. Nesta coluna, vou falar de um assunto que me indignou. Esta semana, a declaração acima, feita pela atriz Taís Araújo, no podcast Quem Pode, Pod, apresentado pelas também atrizes Giovanna Ewbank e Fernanda Paes Leme, viralizou. Em um corte nas redes sociais, aparece um vídeo com essa declaração. Uma declaração até boba, que a maioria das mulheres casadas já deve ter pensando. Mas foi o que bastou para a atriz começar a ser criticada por homens e mulheres. Vagabunda e mau exemplo foram as críticas mais suaves que eu vi.

E eu me pergunto: como, em pleno ano de 2023, num pós-pandemia mundial, as pessoas ainda reagem negativamente, de uma forma tão agressiva, a uma simples frase sobre a liberdade sexual de uma mulher? Que as pessoas, em sua maioria, sempre são recalcadas quando o assunto é sexo, isso eu sei há tempos. O sexo sempre foi tabu. Falar de sexo é algo constrangedor para quem não sabe lidar com a própria sexualidade. Mas uma declaração verdadeira e simples provocou uma avalanche de críticas nas redes sociais.

Ela só falou verdades. Casar aos 25 anos, com pouca ou nenhuma experiência sexual, é um absurdo. Para homens e mulheres. Mas, tia Telma, por quê? Vai fazer sexo no casamento. Sim, mas aqui, no caso, ela deu sorte porque, segundo Taís, seu casamento é muito bom (será mesmo? Que mulher vai a público falar que o marido é fraco na cama?). Mas e as que não têm essa sorte? Que casam com um fode-mal e passam a vida inteira frustradas, pensando em trair? Se contentando com menos e aceitando tudo em nome do amor?

Não seria melhor que a mulher também tivesse a mesma experiência sexual que os homens têm, para um casamento verdadeiro, completo, pleno? Que ambos saibam o que gostam e o que querem e como obter seu próprio prazer e dar prazer ao outro? O casamento pode não ser só sexo, mas que ele é uma parte importantíssima é. Ninguém pode negar. Um casal satisfeito um com o outro não trai, não procura fora de casa aquilo que tem dentro. Uma mulher com experiência pode avaliar e ajudar o desempenho do marido. Pode ser capaz de falar o que gosta ou não, ou apenas de o conduzir. Está mais aberta a realizar fantasias – suas e dele – e, portanto, serem mais felizes sexualmente.

Porque as pessoas ainda acham que mulheres que dão à vontade merecem ser criticadas? Porque se preocupam tanto com algo que não lhes dizem respeito. Se você não quer sair por aí dando, não dê. Problema sexual seu. Você que arque com as consequências de uma vida frustrante. Mas não restrinja a liberdade das outras. Não julgue. Não se intrometa. E, por favor, estimule sua filha a ser melhor que você.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande um e-mail para telma@olondrinense.com.br

Quem é Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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1 comentário

  1. No geral infelizmente temos uma grande maioria das mulheres (e parte da sociedade) presas a padrões lá do tempo da carochinha. A luta é continua e permanente.

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