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Como falar de sexo com seus filhos de forma natural

Por Telma Elorza

“Acompanho sua coluna e gosto muito, me divirto e aprendo bastante com você. E agora estou precisando da sua ajuda, já que você dá boas orientações sobre sexualidade. Meus filhos gêmeos, de cinco anos, começaram a fazer perguntas sobre sexo e eu não sei o que fazer, como responder. Nunca falei sobre isso com meus pais, pelo menos não me lembro. Como posso conversar com eles de forma natural, sem reprimir, mas também sem ser explicíta?”

Bom, minha amiga, eu não sou especialista em educação infantil, nem psicológa, mas fui mãe e tive os mesmos perrengues que você está tendo, quando meu filho começou a fazer perguntas sobre sexo, ainda pequeno. Então vou contar como EU lidei com a situação. Não sei se foi a melhor forma – cada um deve ter uma maneira de diferente e, talvez, seja o caso de procurar ajuda mais especializada – , mas acho que acabei por criar um homem esclarecido, sem preconceitos e (acredito) que deve ser bem resolvido sexualmente.

Bom, a primeira coisa é não ficar apavorada. kkk Eu sei que, às vezes, a gente é pega de surpresa. Mas procure responder sinceramente tudo que as crianças perguntarem, com uma linguagem acessível. Sexo é uma necessidade humana e natural. Se optarmos por não falar sobre isso, a criança irá buscar informações em outros lugares, talvez não tão seguros.

Além disso, uma boa educação sexual (adequada à idade da criança) protege contra abusos sexuais e pedófilos. A criança, estando orientada pelos pais e sabendo que pode falar tudo com eles, sem medo de ser reprimida por causa do assunto, vai estar mais confiante e protegida para denunciar o abusador. Parece simples, mas ensinar que não pode deixar ninguém tocar no seu pipi ou na sua pepeca (nem o papai ou o titio) faz maravilhas contra a pedofilia.

Mas, antes de tudo, o primeiro passo é deixar que eles venham até você com as perguntas. Nunca tente forçar o assunto, porque se a criança não perguntou é que ainda não tem curiosidade sobre isso. Também é importante responder apenas aquilo que a criança está perguntando. Não tente dar uma aula completa sobre o assunto.

Por exemplo: de onde vem os bebês? Você pode explicar que os bebês crescem na barriga da mamãe deles, onde foram postos pela sementinha do papai. E que só os adultos conseguem por essa sementinha lá, que o corpo precisa ser grande e forte para isso.

O que você NÃO DEVE fazer nunca é mentir, nem inventar histórias, como a da cegonha, por exemplo. Porque esse tipo de coisa fantasiosa “enraiza” na mente da criança e é um desserviço para eles, no futuro.

Se a criança perguntar sobre palavras que ouve por aí, como “caralho” (que a maioria das pessoas fala hoje em dia), explique que um apelido do pipi dele, mas que prefere que não use, porque pode ofender algumas pessoas. Nunca fale que é um “nome feio”, porque não precisa reforçar negativamente o sexo.

Crianças também costumam brincar com o pipi e a pepeca, acham engraçado. Então não reprima. Mas ensine que não pode tocar com a mãozinha suja, pra não deixar o local doentinho. E que se quiser brincar com eles, o faça quando estiver sozinho, no quarto, por exemplo. Que o órgão é uma parte íntima dele e que não precisa ficar mostrando para todos.

O assunto é amplo e as perguntas, às vezes, podem ser mais complexas que a gente espera. Por isso, é bom que se oriente também com a leitura de livros, como este “Mamãe, como eu nasci”, de Marcos Ribeiro, da Editora Moderna, que responde as principais dúvidas da criança, nesta fase. Aliás, recomendo também outros livros desse autor, como o “Conversando com seu filho adolescente sobre sexo”, que vão ajudar em outras fases (que chegam rapidinho).

No mais, reforço: trate com naturalidade e sinceridade. Isso ajuda muito no desenvolvimento emocional para que, futuramente, seu filho possa desfrutar da sua sexualidade de forma saudável.

Tem dúvidas? Mande sua pergunta para o e-mail telma@olondrinense.com.br

Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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