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Meu namorado teve câncer no pênis e precisa amputar parte. E agora, o que faço?

Por Telma Elorza

“Meu namorado descobriu um câncer no pênis e terá que amputar parte dele. Eu estou seu lado, durante toda sua doença e vou ficar até se recuperar totalmente, porque gosto muito dele. Mas tenho medo do futuro e não consegui desabafar isso com ninguém. Nossa vida sexual morreu durante esse tempo e tenho medo que nunca mais tenhamos relações. O que faço?”

Nossa, amiga, que situação. O câncer de pênis é realmente um caso triste, principalmente porque atinge aquilo que a maioria dos homens acredita que o torna homem. Não é, o pênis apenas os tornam machos. Ser homem é outra coisa. Mas como mudar essa mentalidade, né?

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O câncer de pênis é um tipo de tumor que representa, no Brasil, 2% de todos os casos de câncer na população masculina, com maior incidência em indivíduos a partir dos 50 anos de idade – embora também atinja jovens. E a causa, principalmente, é por falta de higiene, principalmente entre homens não circuncisados (que tem a pele sobre a glande removida cirurgicamente). Ou seja, os homens não lavam direito o próprio instrumento de que se orgulham tanto.

Câncer no pênis é causa de 486 amputações por ano, em média

Dados obtidos pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) junto ao Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), no ano passado, mostram que, a cada semana, nove homens têm seus pênis amputados. De 2018 a novembro de 2022 foram realizadas, apenas no SUS, 7.790 amputações do pênis, uma média de 486 amputações por ano. Enfim, são muitos casos por algo que pode ser evitado com uma higiene correta.

Lavar com água e sabão, puxar a pele do prepúcio e limpar todo o esmegma (uma secreção decorrente do acúmulo da oleosidade da pele, células mortas e umidade do pênis que se forma entre a glande e o prepúcio) são coisas básicas e que devem ser ensinado ao menino assim que ele começa a tomar banho sozinho. Porque essa secreção pode causar muitos problemas, se não for limpa. As mães geralmente percebem quando o prepúcio não se retrai facilmente para a limpeza e, por causa disso, é que o ocorre a maioria dos casos de circuncisão.

Enfim. Depois desse alerta aos leitores do gênero masculino, voltamos ao aconselhamento da leitora.
Você se desepera pensando no futuro com um homem sem pênis ou com pênis parcial. Acho que, na sua preocupação, nem chegou a falar com o médico que atende seu namorado, né? Ele pode lhe esclarecer melhor, mas, geralmente, após a cirurgia de amputação, há uma outra de reconstrução. Há técnicas de reconstrução, inclusive no SUS, que deixam o órgão funcional. Ou seja, cumpre todas suas funções, inclusive a sexual.

Mas, se por algum problema, seu namorado não puder ter o pênis reconstruido, há outros meios para deixá-lo relativamente funcional, como próteses, por exemplo, que podem ser de grande ajuda para o sexo. Não é a mesma coisa? Não, mas se ele conseguir lhe dar orgasmos, qual o problema?

É preciso entender que relações sexuais não são apenas penetração, na vagina ou ânus. Principalmente porque a maiora das mulheres não goza com penetração, e sim com estímulos diretos no clitóris. Há outros modos de ter e dar prazer, de ser uma relação completa.

Uma relação sexual saudável e prazerosa envolve muitas mais coisas que o pênis dentro da vagina. Há os toques, os gostos, os beijos, os carinhos, dedos e bocas (até os pés) trabalhando com e pelo prazer. Tudo que envolver sensações prazerosas pode contar como sexo. Pode ser brincadeiras, sexo oral, masturbação dupla, anal, com e sem brinquedinhos ajudando. A penetração apenas um extra a tudo isso, ok? Mas nem é obrigatória. O que importa é que ambos, no fim, tenham gozado e saiam saciados. Ponto.

Então, amiga, se você gosta mesmo dele, não será a falta de um pênis “natural” que vai atrapalhar a vida a dois. Pode dificultar um pouco talvez, se resolverem ter filhos, mas até para isso tem fertilização in vitro.

Tem dúvidas sobre sexo? Mande sua pergunta para telma@olondrinense.com.br

Quem é Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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