The Boys: Herogasm, o episódio mais esperado da série

Por Marcelo Minka

Fim de semana prolongado com feriado de sexta-feira e Top Gun com Jurassic World ainda em exibição na maioria das salas de cinema da cidade. Por sorte temos ‘Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo’ em algumas salas (coluna da semana passada), já na minha lista dos top 10 dos melhores filmes do ano e dificilmente vai sair do primeiro lugar.

Assim como ‘Tudo em Todo lugar ao Mesmo Tempo’ é um filme original, The Boys está se mostrando a série mais original dos últimos tempos e, episódio após episódio, vem num crescendo de criatividade, inovação e coragem na produção. Sim, coragem tanto nos temas abordados quanto na maneira expositiva, nas cenas e diálogos inusitados e surpreendentes.

Vamos às vias de fato porque, como dizia minha querida, filosófica e poética vozinha, de ‘viado’ e de louco todo mundo tem um pouco. De vilão e de herói todos temos um pouco também, dia após dia, hora após hora. E é disso que se trata esta ótima série em exibição no streaming Amazon Prime Video; pseudo-heróis que se comportam como vilões, vilões mostrando suas fraquezas, fragilidade masculina, força feminina, sexualidade sem pudores. The Boys são alguns super-heróis de fachada que fazem parte de uma grande corporação com interesses pra lá de escusos. Enquanto a corporação usa os poderes desses heróis para ter poder político e midiático, os heróis usam os próprios poderes para inflar o ego e satisfazer seus instintos mais que baixos.

The Boys já está na terceira temporada e se você não viu, assista desde o primeiro episódio da primeira temporada para entender todas as nuances da trama. E esta semana foi ao ar o esperado episódio Herogasm, uma orgia onde participam super-heróis com seus poderes para conseguirem super orgasmos, juntamente com pessoas como nós, sem esses poderes, infelizmente. Você já pode imaginar as pérolas televisivas que saíram daí, não é? Desde pênis que se esticam de maneira gigantesca a pessoas que podem encolher de tamanho e entrar em corpos alheios, uma mega orgia com mega loucuras.

A grande sacada desta série é sua abordagem inovadora, quando compara o mundo real ao dos super-heróis através de alfinetadas, não perdoando políticos, artistas, universo Marvel, DC Comics, ninguém escapa. E quando vemos a comparação, percebemos o quanto o real é cafona e imbecil. Por exemplo, em um dos episódios o herói A-Train faz um comercial de refrigerantes produzidos pela corporação em que trabalha, e a propaganda é idêntica a um comercial da Pepsi. Depois que você assiste A-train bebendo seu refri gelado e falando em paz nas ruas, vai achar o comercial da Pepsi a coisa mais imbecil do universo.

Outro exemplo é a alfinetada em Gal Gadot, a atriz que interpreta Mulher Maravilha. Em 2020, começo da pandemia, Gadot postou em suas redes sociais um vídeo em que reclamava da difícil situação enfrentada por todos nós e, no final da ladainha, cantou desafinadamente a música Imagine, de John Lennon. Na série, o herói Profundo, após reclamar de uma difícil situação da corporação, canta a mesma música. E esta imagem vem reforçar aquilo que já sabíamos; como as pessoas famosas e com muito dinheiro, pelo menos a maioria delas, estão totalmente desconectadas da realidade.

Enfim, enquanto alfineta a realidade podre das políticas corporativas, a série está se mostrando imperdível. É bom estar informado que algumas cenas são de violência extrema, nus frontais, laterais e traseiros, sem qualquer pudor, e faz a gente rir muito. Não perca.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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