Terceiro setor encolhe em Londrina

Município teve queda de 5% no número de Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (Fasfil) entre 2010 e 2016, segundo o IBGE.

Filipe Muniz
Equipe O LONDRINENSE

O município de Londrina perdeu 55 Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (Fasfil) entre 2010 e 2016, segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Cadastro Central de Empresas (CEMPRE). A redução de 5% é maior do que a percebida na comparação anterior. De acordo com o primeiro levantamento, feito em 2010, Londrina possuía 1.067 organizações do tipo. Em 2013, eram 1.066, com queda para 1.012 em 2016, ano do último levantamento, divulgado em abril. O setor que mais perdeu empresas do tipo foi cultura.

A queda foi registrada também no estado. Entre 2010 e 2016, o Paraná perdeu 2.434 Fasfil, uma redução de 12%. No mesmo período, a redução em todo o país foi de 16,5%, com queda de 283.812 em 2010 para 236.950 em 2016, perda de 46.862 entidades.

O levantamento feito pelo IBGE considerou um universo de 526.841 entidades ativas no CEMPRE como sem fins lucrativos e filtrou os resultados de acordo com metodologia elaborada pela Divisão de Estatística da Organização das Nações Unidas (ONU). Com isso, chegou ao número de quase 237 mil Fasfil existentes em todo o país.

Londrina

Os dados do IBGE também mostram as áreas nas quais houve variação no número de Fasfil no município. Começando pelas quedas, a maior ocorreu na área de cultura e recreação, que registrou apenas perdas no período. Eram 179 em 2010, 147 em 2013 e 126 em 2016. Na comparação do primeiro para o último ano, a diminuição foi de 29,6%.

Na sequência vêm as associações patronais, profissionais e de produtores rurais, que foram de 101 em 2010 para 76 em 2016 (-24,8%), seguidas pelas Fasfil de educação e pesquisa, que caíram de 117 para 89 (-23,9%). Na área de meio ambiente e proteção animal, havia cinco organizações registradas em 2010. No levantamento seguinte, o número caiu para duas, com aumento para quatro em 2016. Porém, o saldo foi negativo na comparação da primeira pesquisa para a última, com queda de 20%.

Já as Fasfil de saúde tiveram queda de 42 em 2010 para 35, com o mesmo resultado em 2016 (-16,7%). O desempenho negativo menos acentuado foi das entidades de assistência social, que eram 85 nos dois primeiros levantamentos, caindo para 83 em 2016 (-2,4%).

Crescimento

Na contramão da tendência de queda estiveram três tipos de Fasfil. Abrindo a lista, a classificação “outras instituições privadas sem fins lucrativos” saiu de 78 em 2010, para 134 em 2013, baixando para 104 em 2016. Comparando o primeiro resultado com o último, o crescimento foi de 33,3%.

Outra área que mostrou uma linha de crescimento foi a de religião, que saltou de 403 para 410 e 437, respectivamente. No mesmo tipo de comparação, o aumento foi de 8,4%. No Paraná, o crescimento das entidades religiosas foi de 11,2%, saindo de 5.287 em 2010 para 5.880 em 2016. O desempenho do setor no município e no estado contrasta com o do Brasil, que teve queda de 0,6% no mesmo período (a menor de todas as áreas), passando de 83,5 mil para 83,1 mil entidades.

Por sua vez, as Fasfil da área de desenvolvimento e defesa de direitos eram 78 em 2010, subindo para 134 em 2013 e caindo para 104 em 2016. O saldo foi positivo entre o primeiro e o último levantamento: 1,8%. Já a área de habitação não teve registro em nenhum dos anos em Londrina.

Trabalhadores

Os dados do IBGE também mostram que o número de empregados assalariados nas Fasfil de Londrina em 2016 (10.735 pessoas), aumentou em relação a 2013 (10 mil), mas caiu em relação a 2010 (11.205 empregados).

Nos três anos, a quantidade de trabalhadores sem nível superior de escolaridade foi maior. No último levantamento, eram 6.702 empregados londrinenses sem nível superior e 4.033 com esse nível de escolaridade.

Em todos os levantamentos, a quantidade de mulheres trabalhando nesses locais era maior do que a de homens. Em 2016, por exemplo, elas eram 7.688, contra 3.047 do sexo masculino.

Recessão

A crise econômica que atingiu o país entre 2015 e 2016 pode ter sido a principal responsável pelo fechamento das Fasfil, na avaliação do economista e professor Cláudio Chiusoli. Ele lembra que a economia brasileira encolheu 3,8% em 2015 na comparação com 2014, e no ano seguinte, a queda do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 3,6%, comparado com 2015.

“Essas entidades dependem muito de doações e de convênios com o governo para repasses de verba. Se a economia não vai bem, o reflexo é generalizado. Houve uma retração econômica muito forte entre 2015 e 2016. Se essa arrecadação caiu, elas (Fasfil) ficaram no vermelho e tiveram que fechar”, avalia.

Para o economista, o crescimento das Fasfil religiosas pode ser explicado pela forma diferente de arrecadação dessas instituições, feita por doações voluntárias. Principalmente durante crises, muitas pessoas se apegam à religião, o que garante a receita. “É um setor que não tem crise, as pessoas são movidas pela fé. Elas não deixam de fazer a contribuição. Talvez façam menos, mas não deixam de fazer”, explica.

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