Por Telma Elorza

“Deixa eu contar minha história: aos 13 anos, me masturbei pela primeira vez usando um pedaço de bolo confeitado para dar uma sensação extra. Gostei da história e comecei, sempre que podia, usar alimentos molhados como acessório. Quando comecei a ter relações sexuais com mulheres, levei a prática para os relacionamentos. Minha atual namorada, no entanto, foi advertida pelo ginecologista que não pode introduzir alimentos na vagina e no ânus. Só que eu não consigo mais fazer sexo sem isso. O que posso fazer para parar?”

O fetiche com comida é muito comum. Há pessoas que tem prazer sexual em comer (chamado de “feedee”), tem quem se excita em ver o parceiro comer (chamado de “feeder”) e têm os que gostam de utilizar alimentos para apimentar a relação sexual, mas esses eu ainda não descobri o nome. Nada contra nenhum deles, se for totalmente consensual.

O problema, no caso do leitor e de muitos outros que gostam de utilizar frutas, verduras e alimentos preparados em relações sexuais, é justamente esse: eles não são adequados para serem introduzidos no corpo, a não ser pela boca. Há um enorme perigo à saúde da(o) parceira(o) se forem introduzidos na vagina ou ânus. O corpo está preparado para recebe-los e pode reagir negativamente.

O uso de pepinos e cenouras, por exemplo, pode ferir a região. Além disso, podem estar contaminados, levando bactérias aos canais. O mesmo acontece com bolos e outros alimentos como o chantilly, mel e caldas de chocolate (muito usados para dar um up na transa), mas que devem ser espalhados apenas sobre a pele ao redor dos genitais e jamais serem introduzidos. Há riscos de infecções urinárias, bacterianas e fúngicas que podem acontecer se houver contato com a uretra ou se a vagina não for capaz de corrigir seu pH naturalmente. Até mesmo a uretra do homem pode ser prejudicada. No cool, então, alimentos devem passar longe. Muito menos revezar a introdução no cool com a vagina. O risco de contaminação é excessivo.

No caso, o leitor diz que tem, há anos, o hábito de fazer isso e que não consegue mais fazer sexo sem a ajuda dos alimentos. Em primeiro lugar, eu sugiro que consulte um urologista para ver se está tudo bem com o amiguinho, porque já pode ter desenvolvido algum problema. Em segundo lugar, sugiro que consulte também um psicólogo. Porque o fetiche deve sim dar prazer, mas nunca dominar completamente os desejos, principalmente quando põe em risco a saúde do próprio praticante e de seus parceiros.

Tem dúvidas? Mande sua pergunta para o email telma@olondrinense.com.br

Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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