Por professor Renato Munhoz
Sustentabilidade tem a ver com a capacidade de, em todas as esferas da sociedade, promover um equilíbrio com o modo de vida de cada um e cada uma de nós.
E uma das questões que mais nos desafiam em relação as questões ambientais está justamente relacionada a Economia e de como o modelo de economia é altamente predatório da nossa casa planeta e seus recursos. Mas quem mais sofre os impactos são os mais pobres e aqueles que, de alguma forma, acabam se sujeitando a “qualquer coisa” para garantir um pouco mais de sobrevivência.
Já a algum tempo, no Brasil, há um movimento que vem crescendo para promover uma espécie de tentativa de humanizar a economia. Puxado pelas iniciativas de cooperativismo solidário e cooperativismo de crédito, as chamadas finanças solidárias demonstram a capacidade de que o pouco de cada um se torna o necessário de um coletivo.
Uma das experiências mais promissoras nesta linha é o Banco Palmas, que completou 25 anos em 2023, na comunidade Palmeiras, em Fortaleza. O Banco Palmas criou uma moeda social e um banco comunitário, administrado pela própria comunidade que, através da autogestão, se autofinancia e faz com os recursos financeiros permaneçam na própria comunidade. Gera renda e fortalece um empreendedorismo que é retroalimentado tornando as pessoas mais autônomas economicamente.
Segundo a Rede Brasileira de Bancos Comunitários hoje, no Brasil, são 103 bancos comunitários, espalhados por diversas comunidades, tendo em comum a sustentabilidade das periferias e pequenas comunidades brasileiras Para além dos Bancos Comunitários, existem as experiências de poupanças coletivas que tem feito a diferença na vida de muitas pessoas.
Outra experiência que chama atenção são as chamadas cooperativas habitacionais, surgidas no Uruguai e se esparramando pelo sul do Brasil sobretudo. Elas fazem com que o sonho da casa própria esteja mais próximo. Nesta experiência, o grupo forma uma cooperativa, compra coletivamente o terreno e financia pela cooperativa a construção das casas. Através de uma poupança coletiva.
Não haverá outra saída para a Economia do que um caminho de sustentabilidade humana, ou seja, é preciso descer as experiencias econômicas para perto das comunidades e fazer com que aqueles que muitas vezes estão tão distantes das salas onde se decide tudo sobre nossas vidas, sejam os protagonistas de experiências humanas e humanizadoras que sejam capazes de fortalecer as inciativas coletivas para a superação de problemas tão individualizados.

Professor Renato Munhoz
Teólogo e Historiador. Especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Me siga no Instagram @profrenatomunhoz , Facebook e Linkedin
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