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Tríade da Tecnologia Social e Sustentável

Por professor Renato Munhoz

Tanto o setor privado, quanto o setor público tem apelado aos tecnólogos de plantão nichos e possibilidades conciliadoras: o bom uso da tecnologia, aliado aos impactos sociais e sustentáveis que possam ser gerados na elaboração das mais variadas ferramentas que atendam as necessidades do mercado e não atravesse os códigos de ética capazes de proteger o elemento humano, a sociedade e todo entorno que envolva os dois.

No relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1987, “Nosso futuro comum”, foi introduzido o conceito de desenvolvimento sustentável pela primeira vez, sem renunciar aos preceitos do mercado que é o crescimento econômico. E não virando as costas para a vida do planeta naquilo que a ONU chama de “nova relação do ser humano com o meio ambiente”.

Será preciso pensar nesse sentido em novas formas de consumo, onde os impactos gerados pela produção e pelas necessidades criadas não afetem tanto os recursos naturais e não agridam de forma brutal os mananciais e a crosta terrestre com a produção de resíduos não tratáveis. O que leva a terra a um colapso comum, afetando diretamente a vida como um todo.

Neste sentido, a Tecnologia Social pode representar um bom manual de como apresentar saídas sustentáveis de modo a minimizar ou reduzir os impactos gerados pela presença humana.

A ideia de tríade da Tecnologia Social passa um pouco pela conexão entre os pontos formando como que um triangulo, ou seja: um ponto ligado ao outro e fazendo com o que as pontas se movimentem em conjunto.

A primeira ponta seria a humana. Toda tecnologia nasce de um ser humano, que pensa em algo para si próprio, como resposta muitas vezes de uma demanda individual que pode ser transformada em coletiva. Mas esse elemento chamado humano é fundamental para pensar o desenvolvimento de técnicas e tecnologias que consigam respeitar a dimensão humanizadora. Embora muitas vezes estejamos à frente de ideias que se utilizem da máquina e da inteligência artificial cada vez mais, nunca devemos deixar de perguntar: Qual o impacto humano sobre o desenvolvimento de qualquer tecnologia? O quanto o ser humano é afetado ou atingido?

O outro lado da tríade é a sociedade. Pensar no ser humano vivendo em sociedade e se relacionando por consequência com outros seres. Toda tecnologia social deve levar em conta as mudanças geradas em âmbito coletivo. O uso da técnica muitas vezes atinge diretamente o corpo social que não estava totalmente preparado. Estamos vendo, por exemplo, a ausência de uma série de legislações e códigos de ética, que ajudem a regular a internet. Ou mesmo a difusão de inteligência artificial em um momento em que, para a maioria das tecnologias móveis, não existe nenhum tipo de regulação de uso.

É importante destacar que não é a restrição do uso, mas um ordenamento, no sentido de que você seja responsável por tudo o que você faz nestes ambientes. Sobretudo quando afeta a vida das outras pessoas. Para isso algumas perguntas podem ser feitas: qual o impacto na vida das pessoas com o desenvolvimento desta tecnologia? Como esta técnica, produto ou ideia irá mudar a vida das pessoas em sociedade?

Por fim, e não menos importante, a última parte desta tríade é que o planeta. Ou, como chama o Papa Francisco, “nossa Casa Comum“. Com a velocidade da globalização, não dá mais para imaginar tecnologias localizadas. O que é utilizado de um lado do globo, praticamente e imediatamente passa a ser utilizado do outro lado. A capacidade de comunicação mudou por completo a ideia de impacto tecnológico. Algumas nações do mundo já lidam com estas tecnologias com alguma forma de regulação. Segundo dados da Proxyrack, o Brasil é um dos países do mundo que menos restrições do uso da internet em todo mundo. É um campo livre, aberto e sem idade restritiva. O que tem afetado muitas famílias e sociedades.

O equilíbrio do planeta passa, sem dúvida, pelo equilíbrio do humano e do social, por isso nenhuma tecnologia criada deve agir em desarmonia. É preciso, nesse aspecto, um longo caminho de “educação tecnológica” que não ensine apenas o uso, mas reflita sobre o mal uso da técnica. Quais os impactos gerados no planeta, e como isso muda a vida social.

Por fim reforço que a ideia de que regulação não é de proibição, mas controle social. Como existem outros previstos na constituição brasileira, no sentido de que a sociedade seja parte e compreenda o que está por detrás de tanta coisa boa criada que pode, com certeza, mudar a vida das pessoas na direção de uma sociedade humanamente tecnológica.

Professor Renato Munhoz

Teólogo e Historiador. Especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Me siga no Instagram  @profrenatomunhoz , Facebook Linkedin

Foto-montagem/Renato Munhoz

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