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Quando morre um ambientalista

Por professor Renato Munhoz

Londrina esta semana recebeu a triste notícia da morte de um grande e comprometido ambientalista. João das Águas.

Fiquei pensando em responder à pergunta: o que acontece quando morre um ambientalista? Na imensidão de mensagens que pude ler, compreendi o que de fato representa a partida de pessoas como João.

A ligação intrínseca entre a causa defendida e a pessoa que a defende faz com que nosso campo de visão perceba uma coisa só: a força da coerência na defesa da causa ambiental. Torna única natureza e ambientalista. Ambos são a mesma matéria. As palavras e os gestos de João das Águas estão interligados a Terra de tal modo que, mesmo sem nenhuma palavra proferida, mesmo no silêncio de sua partida, quando olhamos qualquer elemento da natureza, como as águas do Igapó, por exemplo, a memória nos leva imediatamente a figura e a pessoa. A árvore, os pássaros cantando, carregam consigo o exemplo deste ambientalista amante da vida.

O que é possível acreditar é de que a missão ambiental torna os defensores da sustentabilidade, “avatares” da natureza. O corpo físico, inclusive muitas vezes, cansado e adoecido por tanta vida doada, revela a “alma verde”, como se as palavras proferidas, fossem como que uma espécie de “psicografia” da Pacha Mama, a mãe terra de nossos ancestrais mais fiéis. Trazem à tona o grito de resistência de um planeta que não quer ser silenciado pela ganância daqueles que só pensam em si.

A forma de vida de João das Águas e de tantos ambientalistas é um tapa no rosto de um modo de vida que, para ser mantido, precisa ver a sustentabilidade em cacos. A simplicidade e o desapego fizeram de João um paradoxo. Numa sociedade de tanto, é possível alcançar a felicidade com menos.

Por último, as sementes. O que representam as sementes no Meio Ambiente? Elas são as possibilidades renovadas “sintropicamente”. Os próprios elementos da natureza semeiam. As árvores, os pássaros, fazem isso todos os dias. Só assim é que existe a renovação das espécies.

O que acontece então com um ambientalista quando morre?

Ele se torna semente. Todos os dias semeada nos exemplos de uma cidade mais sustentável. Em cada política pública realizada para a manutenção do planeta. Em cada gesto e ato de Educação Ambiental.

Bom, se João das Águas se tornou semente, pensei comigo: Ele não morreu. Ele foi plantado. Assim como Dorothy Stang, Chico Mendes, e tantos que outros e outras que, com o exemplo vivido, continuam atuando nas causas tão necessárias para que possamos viver em um planeta cada vez mais sustentável, justo e fraterno.

Viva João das Águas!

Renato Eder Munhoz

Historiador e Teólogo, especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade. Coordenador de Projetos do COPATI (Consórcio de Proteção Ambiental do Rio Tibagi).

Foto: montagem Renato Munhoz

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