Por professor Renato Munhoz
Muito se ouve falar sobre o radicalismo ambiental, criticado por muitos como algo que incomoda e que apresenta certo posicionamento exacerbado no que diz respeito às questões ambientais.
Quero fazer justiça e promover, nesta página teimosa, a defesa dos nominados ecochatos. O que seria de nosso ambiente sem essas figuras lendárias e tão incomodativas?
Insistir com uma postura de defesa radical e se posicionar perante às questões ambientais, não pode ser visto como algo ruim ou negativo. O que mais precisamos, nestes tempos tão difíceis para o meio ambiente, são pessoas que sejam capazes de falar e fazer algo em prol de nossa casa comum.
Destaco algumas qualidades interessantes dos “ecochatos”:
A palavra que salta a ideia. Uma das coisas mais importantes é atrelar o discurso a um modo de vida. Junto a palavra que incomoda, encontramos, na maioria das vezes, uma prática que verbaliza o compromisso ambiental. É preciso entender que, muitas vezes, o que incomoda mais nem é tanto o discurso, mas o modo ecológico de viver.
A teimosia que provoca. Irmã Dorothy Stang, assassinada em 12 de fevereiro de 2005, tida muitas vezes com o adjetivo de “ecochata” . Certa vez foi buscar uma audiência com um ministro do Meio Ambiente, em Brasília, viajou do Pará para a capital federal e solicitou a tal reunião. Na ideia de ser atendida não arredou o pé, dormiu no sofá do ministério até ser atendida. Olha, graças a sua vida dedicada e doada a causa ambiental e graças muito de sua teimosia característica, até hoje as comunidades colhem os frutos de seu projeto.
A força de movimentar. Muita coisa se conquistou, muita mobilização aconteceu graças a esse povo. O movimento ambiental e a sustentabilidade como um todo só aconteceu graças a força da coragem deste pessoal.
Mas a gente descobre que quem criou esse adjetivo, que poderia ser pejorativo, foram exatamente aqueles que não querem ser incomodados por desejarem continuar tratando o Meio Ambiente como algo de sua posse. Promovendo toda e qualquer destruição, em prol de seus interesses individuais.
De todo modo, precisamos de mais “ecochatos”, que separem o lixo e encha o saco daqueles que não o fazem. Que não joga sujeira em qualquer lugar e posta foto de quem joga. Que não admite poluir os fundos de vale e perturba as autoridades locais em busca de alguma saída. Que bom que estão por aí. Vamos reconhecer essa categoria e dar-lhes o prêmio de guardiões teimosos da natureza. Quando ninguém insiste em fazer, ou tem ideia começar, vocês estarão lá a nos provocar. E viva a “ecochatice”.

Professor Renato Munhoz
Teólogo e Historiador. Especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade.
Foto: Greenpeace

Respostas de 2
Viva os “ecochatos”
Boas falas Grande Mestre Renato Munhoz!!
Grande ecoabraço
Luiz Figueira
Que venham muitos Ecochatos e que a natureza seja mais e mais satisfeita e florescerá agradecida melhorando pra todos nós o ecosistema