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ODS 7 – Energia Acessível e Limpa

Por professor Renato Munhoz

O sétimo objetivo do milênio dentre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) aponta uma questão que tem sido debatida na sociedade e que parece não nos chamar a atenção, pois, quando falamos do acesso a energia, a impressão que se tem de já é algo universalizado. Na verdade, de acordo com a estimativa demográfica do IBGE de 2019, ainda há cerca de 900 mil pessoas no Brasil vivem sem acesso a energia elétrica. Muitas destas famílias vivem em regiões isoladas, mas é comum ainda vermos, nas cidades grandes, o chamado “gato” de energia ou mesmo muitas pessoas que não conseguem manter a conta de luz em dia.

O ODS 7 aponta justamente a questão energética como um direito, como algo a ser garantido por políticas públicas, sendo que o de fato acontece são as agências públicas de energia, cada vez mais ligadas ao capital financeiro, cobrando taxas abusivas de energia elétrica, possibilitando muitas vezes que boa parte da população viva apreensiva em relação ao custo da energia elétrica. Para se ter uma ideia, o lucro da Copel, a agência pública de energia elétrica do Paraná, em 2021 ultrapassou a marca dos R$ 5 bilhões. Por outro lado, os acionistas embolsaram mais de R$ três bilhões. É um negócio lucrativo.

As duas frentes do ODS 7: a garantia ao acesso, o que já não se reflete mais como um problema inatingível. Mas o acesso aqui não é só a chegada da energia nas tomadas de casa. Mas ao que podemos chamar de “justiça energética”, que todos os cidadãos e cidadãs tenham direito independe de sua classe social. Que haja a universalização e não a mercantilização da energia elétrica. Ainda é um desafio mundial, cerca de 600 milhões de pessoas na África, quase metade da população, vive sem este direito.

A segunda frente é a diversificação das matrizes energéticas. A busca por formas mais sustentáveis de produção de energia. Embora não entre clarividente nos objetivos desta meta, a importância da utilização de outras fontes renováveis não se nega o crescimento do Brasil, tanto na utilização quanto nas pesquisas.

Fonte: 1https://quantageracao.com.br/o-aprimoramento-do-processo-de-geracao-de-energia-eletrica-no-brasil/

Ainda mais de 60% da energia utilizada no Brasil é produzida pelas Usinas Hidrelétricas, causando impactos ambientais e sociais de grandes proporções. O que é preciso é diversificar esta matriz. O Brasil é o 16º país do mundo em produção de energia solar.

Temos potencial para muito mais. Somos um país tropical, onde boa parte dos períodos mesmo no inverno temos dias ensolarados. O que precisamos de fato é fomento, investimentos para que esta matriz esteja mais acessível à população.

Outra fonte seria a energia Eólica, que é produzida pela força dos ventos. Ainda menos de 7% de nossa energia deriva desta fonte.

As usinas termoelétricas movidas a carvão mineral são o terror da sustentabilidade. Além de agredirem o meio ambiente, é uma das matrizes mais caras para produção de energia, deixando dois impactos a destruição do ambiente e o forte impacto econômico da vida dos brasileiros.

A conta é simples. Quanto menor o custo de produção, menor será a taxa de energia no final desta cadeia. A diversificação pode garantir o melhor acesso ao direito universal a energia elétrica.  Que a energia elétrica não deva ser privilégio de alguns e sofrimento de outros, já sabemos. O que necessitamos é de compromissos efetivos em todos os campos e de todos atores para que efetivamente tenhamos acesso a este bem que é essencial para a qualidade de vida de todos nós.

Professor Renato Munhoz

Teólogo e Historiador. Especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade.

Foto: Pexels

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