Sou louca para participar de uma suruba, mas nunca me convidaram. O que posso fazer?

Por Telma Elorza

“Sou divorciada há pouco tempo e estou sem namorado. Sempre tive sonho de participar de uma suruba, com várias pessoas ao mesmo tempo, tipo daquelas orgias da Roma Antiga. Nunca consegui falar isso para meu ex-marido. E, agora, o problema é que sou tímida e não consigo puxar esse tipo de conversa com meus amigos. Ninguém nem imagina esse meu fetiche e nunca me convidaram para algo do tipo. O que faço?”

A leitora dá um exemplo concreto da frustração que é estar em um relacionamento e não conseguir expor ao companheiro as fantasias e fetiches que, no fundo, todo mundo tem. Se ela tivesse conseguido se abrir com o ex-marido, talvez já tivesse realizado seu sonho. Segundo pesquisa divulgada pela rede social adulta Sexlog, há dois anos, as fantasias sexuais que mais mexem com imaginário dos brasileiros são a suruba (48,5% dos homens revelaram sentir vontade de participar de uma) e swing (segundo lugar do ranking para as mulheres, com 33%), atrás apenas ménage a trois  (60% dos homens e 53% das mulheres gostariam de levar mais um pra cama). Ou seja, havia uma boa chance do ex ter topado e organizado uma só para satisfaze-la.

Não sei os problemas que levaram à separação do casal, mas conheço perfeitamente a cumplicidade numa relação onde os dois são parceiros e estão dispostos a realizar as fantasias um do outro. Essa abertura – falar francamente sobre seus desejos – cria vínculos fortes, que sobrevivem até ao fim da relação. Tenho alguns ex-companheiros com os quais mantenho laços estreitos de amizade, mesmo que nossos rumos tenham ido para lados opostos, porque criamos esse vínculo realizando nossas fantasias.

Mas já que isso não foi possível na relação da leitora com ex, talvez seja o caso de pensar em vencer primeiro a timidez. Porque, senão, ela vai ser sempre uma barreira para realização de sonhos. Se não consegue se abrir com um parceiro ou com amigos próximos, como vai encarar desconhecidos pelados numa suruba?

Sugiro que a leitora procure ajuda de um psicólogo para tentar entender porque tanta timidez, também chamada de fobia social. E, também, um curso de oratória. O que, estranhou? Sim, cursos de oratória são excelentes “desinibidores”, porque trabalham, além da linguagem, postura e expressão corporal. Ou seja, os tímidos conseguem fazer o controle do medo de se expor, de comunicar com os outros, e têm melhor compreensão corporal. Vencendo a timidez, quem sabe não consegue propor a orgia com os amigos mais próximos?

E, se nem vencendo a timidez, consegue fazer a proposta aos amigos, a alternativa é visitar uma casa de swing. Esses locais geralmente aceitam de bom grado mulheres sozinhas, que pagam taxas reduzidas. O mesmo não acontece com homens, que são bem vindos sim, mas a taxa é bem alta. Na casa de swing, você poderá ver o que acontece (nada de fotos e vídeos por ali) tanto em espaços mais reservados quanto em abertos. E decidir se quer ou não participar dos grupos (porque, sim, rola surubão por ali). Não é obrigatório. Você pode dar meia volta e sair de boas, sem que ninguém pergunte o porquê. Ou pode mergulhar na experiência com desconhecidos, realizando sua fantasia. E nenhum dos seus amigos vai ficar sabendo.

Tem dúvidas sobre sexo? Escreva para o email telma@olondrinense.com.br

Quem é Telma Elorza, a Tia Telma?

Jornalista, divorciada, xereta por natureza e que sempre se interessou muito por sexo. Com a vida, aprendeu várias coisas, mas a principal é que sexo é uma coisa natural e deve ser sempre prazeroso.

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1 comentário

  1. Creio que os fetiches coletivos são mais difíceis de serem praticados em uma vida conjugal. Expor essa ideia requer cautela pois a depender da forma pode levar o parceiro(a) a pensar em infidelidade, ademais vivenciar uma relação carnal praticada com um terceiro pode gerar um sentimento aversivo ou até traumático em alguns. Reflito se os resultados da pesquisa realmente se aplica a maioria dos brasileiros, ou somente aos frequentadores daquela rede. Talvez a experiência possa ser melhor aproveitada enquanto solteiro(a).

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