Skip to content

Juntos e Shallow Now


Sony e Microsoft anunciam parceria em cloud gaming e chacoalham o mercado

Cena 1.

Vésperas da Copa América, a ser disputada no Brasil. A seleção da Argentina percebe que não conseguiu fazer uma boa preparação antes da disputa e fecha um acordo com a CBF para usar a Granja Comari nos preparativos finais da competição. Os dois lados comemoram o acordo.

Cena 2.

Os carnavalescos da Gaviões da Fiel percebem que os carros alegóricos e as fantasias não estão de acordo com o que eles queriam e pedem ajuda ao pessoal do barracão da Mancha Verde. Os dois lados comemoram o acordo.

Estranho, né?

Num mercado de quase 40 BILHÕES de dólares, como o dos consoles de videogames, seria no mínimo estranho que dois dos maiores concorrentes fechassem um acordo. Quase tão nonsense quanto os exemplos acima.

Pois isso aconteceu. Com a Sony e a Microsoft.


Kenichiro Yoshida, presidente e CEO da Sony Corporation (esq.) e Satya Nadella, CEO da Microsoft (dir.)

As duas companhias vão trabalhar de forma colaborativa em soluções baseadas na nuvem para jogos e Inteligência Artificial. É o que diz o comunicado oficial publicado pela Microsoft em seu site de notíciasNa prática, a Sony vai usar o Azure – serviço de nuvem e datacenter da Microsoft– para rodar seus jogos e serviços de streaming.

Esse acordo balançou a indústria como um todo. Mas ninguém ficou mais full pistola do que a equipe do PlayStation. Os caras estão há quase duas décadas brigando pelo domínio desse mercado, passaram os últimos sete anos trabalhando no desenvolvimento do próprio sistema de cloud gaming (que, venhamos, nunca funcionou 100% perfeitamente perfeito. E agora, diz a Bloomberg, foram escanteados numa negociação desse tamanho. O pessoal da divisão de jogos, diz a reportagem, foi pego com as calças na mão e “gerentes tiveram que acalmar os trabalhadores e assegurar que os planos para o console de próxima geração da Sony não foram afetados”.

Esse tipo de serviço depende de investimentos bilionários, coisa que a Sony parece não ter feito nos últimos anos. Some-se a isso a ameaça de outros players, como o Google – com o Stadia, que nós já mostramos aqui – e está pronto o cenário para medidas desesperadas, como a que a gigante japonesa tomou. E a Sony não está errada, já que o ecossistema PlayStation responde por um terço do lucro da companhia. A Microsoft também corre esse risco, só que o lado verde dessa história já conta com o segundo maior serviço de computação em nuvem.

A Sony sempre prezou por fazer o melhor console com o melhor hardware possível em cada um dos seus lançamentos. Uma pegada diferente da Nintendo, que parece estar mais preocupada com a diversão dos jogadores do que com a quantidade de frames por segundo de seus jogos. Além disso, o time azul também foi o primeiro a entrar nesse mercado do cloud gaming com o PlayStation Now. Depois veio a PlayStation Network, com armazenamento gerenciado pela Amazon. As duas, Sony e Amazon, até tentaram um acordo – que empacou em algumas cláusulas comerciais.

Quem vai ganhar com tudo isso? Os jogadores, é claro, mas a longo prazo deve ser a Microsoft. Isso porque ela vai ditar os padrões desse tipo de serviço. Dos três grandes, dois, ela e a Sony, vão usar esse padrão. Resta saber se as leis antitruste vão permitir que os dois rivais fiquem juntos e shallow now.

Fotos: Divulgação

Fábio Calsavara

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é BIO_CALSAVARA-2-1024x768.jpg

É jornalista e gamer raiz. Do tempo em que criança jogava fliperama em boteco de rodoviária.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Designed using Magazine Hoot. Powered by WordPress.