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Uma super atleta correndo no Igapó

A imagem foi espetacular! Confesso que me emocionei…Eu estava presenciando a performance daquela que, talvez, fosse a maior atleta de corridas pedestres que eu já tivesse visto em minha vida. E bem ali, na minha frente, numa agradável manhã de sábado londrinense.

 Diminui a velocidade de meus passos e me aproximei para melhor confirmar o que via. Elegante, roupas leves e adequadas para aquela atividade, tênis de marca, olhar seguro em direção ao ponto final da pista, protegido por óculos de sol, estatura delicada, quase frágil e os passos… curtos, erguendo-se levemente do chão, lentos mas determinados, confiando seguramente nas mãos que se firmavam ao mesmo tempo que empurrava um robusto andador adequado com rodinhas para melhor deslizar e facilitar o ato de avançar pista adiante…

Sua velocidade poderia parecer ínfima para os jovens e não-tão-jovens-assim corredores que passavam por ela em desabalada e suarenta carreira.

Mas para mim e acredito que para ela também, ali estava alguém com a grandeza esportiva de um Bolt das raias de corridas de velocidade.

Era uma senhora oriental de idade quase centenária que, mesmo que muitos não percebessem, dava uma enorme lição de vida. Estava lá, em um espaço público que as pessoas usam para correr, caminhar e demonstrar vitalidade, enquanto ela, dentro das limitações de sua idade avançada e de sua condição funcional, em pleno sábado de manhã corria… ou melhor, caminhava… muito lentamente, com seu andador de rodinhas.

Também demonstrando vitalidade. Vitalidade centenária.

Mas com uma diferença fundamental. Já ganhou de todos ali a maior corrida que qualquer possa almejar: uma vida longeva, com autonomia e independência suficiente para estar lá.

Sem dúvida, uma grande campeã.

Foto: Pixabay

Gilberto Martin

Médico, mestre em Saúde Coletiva e especialização em Saúde Pública, fui  secretário de saúde do Estado do Paraná, do município de Cambé e do município de Londrina. Também fui prefeito de Cambé e deputado estadual pela região.  Militou no Movimento estudantil da década de 70 no Poeira e foi da primeira diretoria da UNE. Sempre trabalhei na  saúde pública, atualmente como médico do ambulatório da Rede de Atenção à Saúde Integral do Idoso no CISMEPAR e na 17ª. Regional de Saúde. Defendo e luto pelo SUS. Dou aulas de Geriatria e de Gestão em Saúde na PUCPR, Londrina. Coordenador da ALUMNI – Associação de ex-alunos da UEL, gosto de correr nas ruas (pelo menos três vezes por semana), de fazer trilhas por campos e morros, de cinema e literatura. Sonho com um Brasil mais justo e menos desigual.

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2 Comentários

    1. Author

      Infelizmente, nem sempre se está com uma câmera ou celular por perto. Ficamos devendo essa.

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