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Só não envelhece quem já morreu

A rigor podemos dizer que, do ponto de vista da saúde individual, podemos envelhecer de três formas diferentes: normal, saudável ou patológica.

Que vamos envelhecer é um fato líquido, certo e irreversível. Graças a Deus.

Costumo dizer aos meus pacientes que reclamam de estar envelhecendo que só existe uma maneira de não envelhecermos: morrer jovem… E isto, obviamente, ninguém quer. Meu sonho de consumo é morrer velho. Bem velhinho (e de preferência na minha cama, no meu quarto, em minha casa e junto aos meus).

Portanto, já que vamos envelhecer mesmo, por que não fazê-lo de uma forma em que as perdas fisiológicas naturais deste processo sejam as menores possíveis e tornem nossa velhice mais leve e agradável?

Senão, vejamos.

O que chamamos de envelhecimento normal é aquele que sofremos as alterações naturais do envelhecimento, até temos algumas das doenças de maior prevalência entre idosos (geralmente as doenças crônicas como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, osteoartroses e similares), mas controladas e sem comprometer nossa capacidade de fazermos tudo aquilo que precisa ser feito em nossa idade, conseguindo “funcionar” sozinho e independente. É o tipo do envelhecimento que as pessoas não fazem nada para melhorá-lo, mas, em geral por características genéticas, envelhecem sem comprometimento de sua funcionalidade.

O envelhecimento é patológico quando você piora as alterações normais da idade com um comportamento agressivo à sua saúde ao longo da vida. Comportamentos como comer tudo errado (muita gordura, muita massa, muito açúcar contra pouco ou nada de frutas, legumes, carne de peixe e etc), beber de tudo que vem pela frente (de montes de refrigerantes a bebidas alcoólicas de modo frequente, regular e contínuo), fumar feito uma chaminé, ter uma vida sedentária com pouca ou nenhuma atividade física, ter sido submetido a trabalho pesado e extenuante, limitação econômica e educacional, exposição ao sol e a condições insalubres, etc., fazem a pessoa a envelhecer com doenças e limitações que comprometerão sua autonomia e sua independência.

Já o envelhecimento saudável é aquele em que agimos “proativamente” desenvolvendo ações e atitudes que ajudam a preservar nossa integridade funcional. Esta “proatividade” envolve basicamente hábitos de vida saudáveis (alimentação balanceada e equilibrada, evitar tabagismo, etilismo e similares), atividade física (caminhadas, alongamentos, exercícios de resistência, combate ao sedentarismo) e cuidados com a saúde (exames periódicos, vacinação em dia, tratamento correto das doenças que acontecerem, controle dos níveis pressóricos, glicêmicos, peso corporal e outros). Além de felicidade e alegria, num convívio saudável com os seus. Este tipo de comportamento reforça nossas reservas fisiológicas e faz com que tenhamos melhor capacidade de respostas às agressões externas. E uma velhice saudável e robusta.

E, então? Faça sua escolha…

Foto: Sara Cheida

Gilberto Martin

Médico, mestre em Saúde Coletiva e especialização em Saúde Pública, fui  secretário de saúde do Estado do Paraná, do município de Cambé e do município de Londrina. Também fui prefeito de Cambé e deputado estadual pela região.  Militou no Movimento estudantil da década de 70 no Poeira e foi da primeira diretoria da UNE. Sempre trabalhei na  saúde pública, atualmente como médico do ambulatório da Rede de Atenção à Saúde Integral do Idoso no CISMEPAR e na 17ª. Regional de Saúde. Defendo e luto pelo SUS. Dou aulas de Geriatria e de Gestão em Saúde na PUCPR, Londrina. Coordenador da ALUMNI – Associação de ex-alunos da UEL, gosto de correr nas ruas (pelo menos três vezes por semana), de fazer trilhas por campos e morros, de cinema e literatura. Sonho com um Brasil mais justo e menos desigual.

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