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Políticas públicas de saúde mental e de drogadição estão sucateadas no Brasil

A ABEAD aponta que faltam recursos e tratamento baseado em evidências. Tema abre o debate no XXVII Congresso de 03 a 06 de setembro, em São Paulo

O LONDRINENSE com assessoria

A falta de políticas públicas para o tratamento da saúde mental e drogadição no país é um dos grandes gargalos apontados pela Associação Brasileira de Álcool e outras Drogas (ABEAD). Sem recursos, os serviços, na maioria dos Estado, estão sucateados.                                                                                             

“As políticas públicas de saúde mental no Brasil seguem tendo um subfinanciamento. E, sem saúde mental, não há saúde. Os serviços que não estão sucateados na área, estão respirando por meio de bombas de oxigênio para tentar sobreviver com o baixo repasse de verbas”, aponta a presidente da ABEAD, a psiquiatra Alessandra Diehl.

Outro fator que afeta o setor, segundo a associação, é a fragilidade das ações em andamento diante das mudanças na gestão do setor. “Temos uma certa instabilidade, por vezes, das políticas de Estado que não têm garantia de continuidade a cada novo governo que entra. É o caso, por exemplo, da política do tabaco no Brasil, com um sistema tributário defasado e sem fiscalização que favorece o consumo, principalmente dos mais jovens”, ressalta Diehl.                                                            

De modo geral, a ABEAD afirma que a rede de atenção psicossocial que dá suporte ao tratamento carece de organização. “Embora o trabalho exista em determinados territórios deste imenso Brasil, a rede de atenção psicossocial ainda é frágil e muitas vezes desunida”, afirma a presidente.

Política pública eficaz

Os dados do Relatório Mundial sobre Drogas 2023 mostram que apenas uma em cada cinco pessoas com transtorno por uso de substâncias teve acesso a tratamento na pesquisa realizada há dois anos.              

Para a associação, existem políticas públicas de prevenção de outros países que funcionam e podem ser implementadas e adequadas à realidade brasileira. Mas, antes de mais nada, tem que haver uma convergência entre os Poderes.

“Nós temos bons exemplos de outros países que podem ser adaptados à nossa realidade utilizando a ciência da prevenção e a academia científica para fazer isso acontecer. Porém, temos que ter ações que dialoguem com os três eixos de poder e monitorar esta política de forma continuada”, propõe.

Diehl também critica as práticas adotadas no Brasil. “Prevenção não são palestras isoladas; prevenção não é algo pontual, mas sim algo sistêmico, num continuum de tempo que envolve vários atores da nossa sociedade. Acho que o governo precisa parar de ficar dando dinheiro para projetos que não produzem evidências e que não mostram resultados”, alerta.

Debate nacional sobre políticas públicas

O XXVII Congresso Brasileiro da ABEAD,  de 03 a 06 de setembro, em São Paulo, tem entre os desafios ampliar a oferta de boas práticas clínicas com base em evidências por equipes qualificadas.  “Existe uma carência imensa de treinamento em adições no nosso país. Precisamos garantir acesso mais rápido a cuidados, consultas ambulatoriais e leitos para uma demanda de pacientes cada vez mais crescente”, justifica.

A palestra magna, na abertura do congresso no dia 04 de setembro, no Centro de Convenções Rebouças, vai ampliar o debate com o tema: “Traduzindo ciência em políticas públicas: desafios da área das dependências”. O evento é focado também na capacitação de profissionais a partir do princípio que a demanda aumentou, significativamente, durante a pandemia em que o lockdown e o isolamento diminuíram o acesso aos tratamentos formais.

“Na pandemia registramos um aumento na quantidade de pessoas bebendo de forma nociva e a piora nos quadros de dependência química pré-existentes. Somou-se a isso, quadros novos de ansiedade, depressão e o luto de muitas pessoas frente às perdas pela Covid-19”, lembra Alessandra Diehl, presidente da ABEAD.

A associação destaca que os efeitos da pandemia foram amenizados com o uso da tecnologia que permitiu a proximidade de terapeutas, pacientes e grupos de ajuda mútua, por meio de ferramentas digitais.

“Neste contexto de crise humanitária, a criatividade prevaleceu e fez surgir novas formas de utilizar ferramentas tecnológicas a serviço dos tratamentos. Temos notícias da telemedicina, dos aplicativos de monitoramento de lugares de risco, dos grupos de alcoólicos anônimos que se expandiram pelos aplicativos de meeting (reunião)”, constata Alessandra Diehl.

SOBRE A ABEAD – Atualmente, com sede em Porto Alegre, RS, a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (ABEAD) reúne psiquiatras, assistentes sociais, enfermeiros, psicólogos, advogados, líderes comunitários, conselheiros, professores, entre outros profissionais, que trabalham com Transtornos por uso de substâncias e dependências comportamentais no Brasil e no exterior.  

Criada oficialmente em 1989, a preocupação dos profissionais da área da saúde em relação ao álcool surgiu no final dos anos 1970, em São Paulo, como um grupo interdisciplinar. Já no início da década de 1980 realizou o primeiro encontro nacional e, em seguida, ampliou o foco de estudos para outras drogas e as dependências comportamentais.                                                                                                                    

Hoje a ABEAD é referência na discussão e implementação de  políticas de prevenção e tratamento do uso de drogas no Brasil e na América Latina. O Congresso, maior evento da associação, é realizado a cada dois anos.

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