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O Carnaval e o beijo  

Por Willian Barbosa Sales 

 O carnaval é uma das festas mais grandiosas e populares do povo brasileiro. Seu apelo festivo ultrapassa continentes e evoca foliões ao redor de todo globo para o Brasil, desfrutando da sua música, gostos e sabores. Sua origem emerge à Idade Média. Contudo, no Brasil suas sementes foram plantadas no período colonial se caracterizando por brincadeiras. A semente germinou e cresceu e ao longo do século XXI, tornou-se uma árvore gigante e plural, alimentando a todos com seus ritmos, danças, símbolos e prazer. Sem dúvida, o carnaval tornou-se a principal festa popular brasileira e conta com os blocos de rua e desfiles das escolas de samba que ocorrem em todos os lugares do país.  

 Por ser uma festa multi-pluri-colorida, sua sensualidade direciona todos os foliões a explorarem seus desejos mais íntimos, rompendo barreiras, tendo no beijo a primeira delas. Todos beijam no carnaval. Pode ser um beijo tímido, beijo brincalhão, beijo roubado, beijo apaixonado, beijo esquimó, beijo de despedida, beijo de saúde, beijo de reconciliação, beijo cinematográfico, beijo apressado ou mesmo só um bom e velho beijo de língua. A questão é: o carnaval é plural e o carnaval sem beijo na boca não é o mesmo. O beijo traz consigo o sentimento do afeto, da intimidade e suas subjetividades, ou seja, reações emocionais e fisiológicas desencadeadas pelo seu sabor, sua textura, seu cheiro e o tesão do momento.  

 O beijo traz prazer, mas tem o outro lado da história que vem com uma gama de microrganismos importantes que podem desencadear diversos problemas de saúde, incluindo as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), também chamadas de as doenças do beijo – aquelas que podem infectar um indivíduo por meio da troca de saliva.  

 São doenças transmitidas pelo beijo: a herpes labial, sífilis, hepatite B e a consagrada como a doença do beijo, que é a Mononucleose Infecciosa, desencadeada pelo vírus Epstein-Barr. Um vírus que infecta mais de 90% dos adultos em todo o mundo. Seu tempo de incubação é de 4 a 8 semanas e seus sintomas incluem febre, dor de garganta (que não evolui para melhora com antibióticos) aumento dos linfonodos do pescoço (ínguas), esplenomegalia (aumento do baço), mal-estar e cansaço extremo. Sua transmissão se dá pelo beijo, o diagnóstico é realizado pelo médico infectologista e o tratamento dos sintomas incluem repouso intenso, além da ingestão de água. O quadro evolui para melhora em aproximadamente duas semanas. Não existem vacinas para prevenção da mononucleose infecciosa. A melhor prevenção contra a doença é não beijar. 

 O fato é que o carnaval é um evento festivo com grande circulação de pessoas e o beijo é liberado, seja ele em dupla, trio, ou na coletividade. De todo modo, fica a recomendação: se for beijar múltiplos parceiros ou pessoas, recentemente conhecidas, mantenha os hábitos adequados de higiene bucal. 

 Willian Barbosa Sales é Biólogo, Doutor em Saúde e Meio Ambiente, Coordenador dos cursos de Pós-graduação da área da Saúde do Centro Universitário Internacional UNINTER.  

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