Por professor Renato Munhoz

Dando uma pausa na série sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, os ODS, gostaria de trazer à tona o fato da morte do jornalista Dom Philips e do indigenista Bruno Araújo Pereira.

Em março escrevi uma coluna falando da morte natural do ambientalista londrinense João das Águas. Na ocasião o sentimento era de uma lacuna de alguém que tanto fez pelas causas ambientais, e que suas sementes plantadas germinam e irão continuar germinando sempre que o Meio Ambiente for beneficiado por nossas boas ações.

Aqui também já utilizei nosso espaço para descrever sobre o agravamento da crise ambiental que vivemos no Brasil, por conta da inoperância governamental e pela invasão dos garimpos e madeireiros em terras amazônicas. Colocando em risco a vida da floresta e dos povos que ali vivem.

Muitas personalidades levantaram sua voz contra todas as atrocidades ambientais que estamos vivendo. Por consequência estão sendo perseguidos e ameaçados. Muitos servidores públicos federais inclusive sendo removidos de suas funções.

Relatório da CPT aponta 2020 como o ano com mais conflitos no campo no Brasil desde o início do levantamento – Fonte: CNBB

Esta situação não é nova no Brasil. Há mais de quarenta anos existem relatos de perseguição e pessoas assassinadas por defenderem a Amazônia. Mesmo antes dos assassinatos de Chico Mendes, no final da década de 1980, e Dorothy Stang, em 2005, assassinados na Amazônia, por defenderem os povos e a floresta.  O Relatório de Conflitos no Campo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançado agora, em 2022, demonstra os conflitos agrários, que envolvem povos indígenas, comunidades tradicionais e lideranças comunitárias. Aponta o aumento significativo de perseguição, no assassinato de povos indígenas e lideranças comunitárias. Um aumento de 94% de conflitos no campo.

Agora nos encontramos diante da morte de duas personalidades que vinham sendo ameaças por aqueles que desejam apenas destruir a floresta em sua sede pela retirada das riquezas naturais sem nenhum tipo de consciência preservacionista. Apenas retirar e destruir. E quem se colocar no caminho deles corre o risco de ser perseguido e assassinado.

O sentimento que a morte de Dom Philips e Bruno Araújo trazem à tona todo sentimento de insegurança e medo que vai sendo implantado na região amazônica e no Brasil todo.

Assim como a morte de Mariele Franco. Executada no Rio de Janeiro por defender as comunidades de periferia. Caso que não foi totalmente solucionado, onde até hoje os mandantes da brutal execução não foram apontados. Nos encontramos diante da possibilidade de que, se de fato se a execução destas duas lideranças se confirmarem, o desejo é de que seja apontado os principais envolvidos.

O Brasil não pode continuar sendo o país onde as lideranças que defendem os Direitos Humanos e Ambientais sejam exterminados por suas ideias e lutas. Isso tem nos colocado como um dos únicos países do mundo onde se morre por se defender aquilo que todas as organizações do mundo e tantos documentos internacionais tem apontado como primordial: a defesa da vida e do Meio Ambiente.

Que Dom Philips e Bruno Araújo estejam vivos na luta por um país sustentável. Que, como nos disse o bispo Pedro Casaldaliga, “que eles não nos deixem dormir em paz, enquanto houver a omissão e o silêncio de nossas autoridades”. Que, assim como ambientalistas que morrem e são plantados, plantemos estas duas sementes de resistência ambiental, nos fazendo acreditar que é fundamental defender a vida ambiental. Garantindo, assim, o futuro da humanidade.

Professor Renato Munhoz

Teólogo e Historiador. Especialista em Educação Ambiental e Sustentabilidade.

Foto: Montagem feita por Renato Munhoz

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