Protetora independente pede socorro para alimentar 160 cães

Dona Inês cuida sozinha de cerca de 160, a maioria idosos sem chance de adoção. Mesmo cadastrada no Banco de Ração, não recebeu nem um quilo das 54 toneladas distribuídas em janeiro

Telma Elorza

O LONDRINENSE

Mesmo cadastrada no programa municipal Banco de Ração, da Secretaria Municipal de Ambiente (Sema), que teoricamente ajuda protetores independentes, dona Marinês Mastriani, a dona Inês, 67 anos, está desesperada. Ela está sem ração para alimentar os 160 cães que mantém sozinha, em sua casa, na Zona Oeste de Londrina. Ela não recebeu nenhum quilo das  54,7 toneladas de ração distribuídas no início do ano.

A casa dela, que já chegou a abrigar 240 cachorros, até ganhou esse nome: A Casa dos 240 Cães, no Instagram e Facebook. E foi pelas redes sociais que O LONDRINENSE recebeu o vídeo com apelo desesperado, porque dona Inês não tem comida para dar aos bichinhos.

Segundo a Flávia, filha de dona Inês, a mãe cuida de animais desde que ela se entende por gente. “Ela não pode ver um bicho abandonado, atropelado ou doente. Sempre teve muito amor. E as pessoas se aproveitam disso, abandonam próximo da casa dela, ligam para ela pedindo ajuda. Até imobiliárias, quando veem cães que foram deixados para trás em mudanças, sem comida, vão atrás dela. E assim foram acumulando, porque adoções são poucas em comparação”, diz.

De acordo com Flávia, até seis anos atrás, dona Inês conseguia trabalhar e sustentar sozinha, mas por uma série de problemas teve que parar e hoje vive de doações e ajuda da comunidade. A mãe até tenta não pegar mais animais, mas tem situações que não consegue evitar. Segundo a filha, ela nem está mais saindo de casa para evitar ver animais de rua, porque invariavelmente os bichos a seguem.

Os cães estão sem ração -Foto: Acervo pessoal

Mas se ela não vai até os bichos, as pessoas os levam. “No ano passado, abandonaram uma cadela com os filhotes debaixo da chuva, em frente a casa. Os filhotes conseguimos doar, mas a mãezinha não. Em dezembro, as vizinhas acharam três cachorrinhos e levaram para ela, prometendo ajudar com ração, mas sabe como as pessoas são. Ainda estamos tentando doá-los. Algumas me ligam de madrugada, não sei como descobrem meu número, falando de animais atropelados e pedindo pra irmos buscar. Esses casos nem passo para ela. Já peço para pessoa ligar para Sema porque eu sei que, se ela fica sabendo, quer ir buscar. E as pessoas têm que perceber que elas mesmas podem socorrer um animal ferido, não precisa ser um protetor”, diz.

O LONDRINENSE foi atrás da Sema para saber porque dona Inês não recebeu nem um pouco de ração, mas a diretora de Bem Estar Animal, Graziella Damante, só chegaria ao meio dia. Segundo uma assessora, ela deve retornar a ligação. Assim que o fizer, atualizaremos a matéria. Também fomos atrás do vereador Deivid Wisley, que advoga pela causa animal. O vereador prometeu conseguir ração para ajudar dona Inês.

Enquanto isso, os interessados em ajudar dona Inês podem fazer doações de qualquer valor para o PIX acasados240@gmail.com

Foto: Acervo pessoal

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1 comentário

  1. Não caberia à promotoria pública adotar providências? Essa senhora sofre, e deveria ser ajudada. Acumulação de animais é uma patologia, e a Vigilância sanitária é quem tem responsabilidade legal em atuar nesse caso.

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