Projeto Caminhos do Graffiti conclui a sétima ação no viaduto próximo à Rodoviária

Pontilhões receberam murais criados por grafiteiros e alunos do projeto, retratando a história e cultura de Londrina; Secretaria de Cultura planeja próximas edições

O LONDRINENSE com assessoria

O viaduto localizado no cruzamento das avenidas Dez de Dezembro e Leste-Oeste, próximo à Rodoviária de Londrina, ganhou uma série de murais alusivos à diversidade étnica e cultural presente na cidade, realizados como parte do projeto Caminhos do Graffiti. Executados entre o dia 23 de maio e a última sexta-feira (27), os trabalhos incluem ilustrações que representam pessoas de diferentes etnias, origens e culturas, incluindo nordestinos, indígenas, afro e nipo-brasileiros. Essa foi a sétima e última ação do Caminhos do Graffiti, que deu cara nova a sete viadutos da cidade (confira abaixo os locais e temas das intervenções).

A atividade contou com a participação de 12 alunos que integraram o ciclo de oficinas teóricas e práticas do projeto, e foi coordenada por seis grafiteiros que fazem parte do coletivo CapStyle: Carão, Thiagu Agu, Korneta, Napa, Huggo Rocha e Kenia. Também participaram os artistas londrinenses Ecoarte e Narizinho, assim como o rolandense Jota Dias.

O secretário municipal de Cultura, Bernardo Pellegrini, comemorou os resultados do projeto, que foi conduzido em parceria entre a Prefeitura de Londrina – através da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) –, Associação Londrinense de Circo (ALC) e coletivo CapStyle. Pellegrini afirmou que é uma satisfação enorme ver artistas formados por projetos socioculturais desenvolvidos pela Prefeitura, ao longo dos últimos 20 anos, contribuindo para a formação de novas lideranças culturais, através das oficinas.

“A Avenida Dez de Dezembro é um dos principais corredores de circulação da cidade, com 2 mil carros passando por hora no horário de pico, o que deu grande visibilidade ao projeto. A cidade se apaixonou pelos murais, sendo que as pessoas paravam os carros para elogiar os grafiteiros que estavam trabalhando e tirar fotos com eles. Essa iniciativa promove o senso de memória e pertencimento da população, e o grafite é uma arte popular que dá aos artistas a oportunidade de expressar a realidade que vivem como mulheres, negros, indígenas e migrantes”, frisou.

Foto: Vivian Honorato – N.Com

Ainda segundo o secretário de Cultura, o projeto terá novas etapas, incluindo uma iluminação especial dos viadutos contemplados, feita pela Sercomtel Iluminação, e a publicação de um catálogo, em formato físico e on-line, com informações e fotografias das obras. Posteriormente, o Caminhos do Graffiti terá uma segunda edição, que contemplará outros pontilhões da cidade.

O presidente da Associação Londrinense de Circo (ALC), Paulo Líbano, frisou que a iniciativa proporciona tanto uma transformação urbana – que contribui para a valorização da história, cultura e memória da cidade –, quanto uma mudança na vida dos alunos participantes, dentre os quais 50% eram bolsistas.  “Eles passaram um período de quatro meses acompanhando as atividades e em contato direto com artistas e grafiteiros que são referências em Londrina, no restante do país e mesmo no exterior. Por isso, isso foi um estímulo para que os participantes vejam que é possível viver da arte. Além disso, os murais criados através do projeto compartilham aspectos importantes de Londrina como a memória e a diversidade da cidade, e isso vai ficar lá por muito tempo, incentivando quem passa por esses pontos a buscar conhecer mais sobre esses temas. Os resultados do projeto foram fantásticos, e estamos muito orgulhosos e satisfeitos”, disse.

Conforme o grafiteiro Napa, que foi um dos coordenadores das atividades, a principal mensagem que o projeto passa é que a arte do graffiti está em ascensão em Londrina, e se espalhará cada vez mais através da formação de multiplicadores. “Os alunos tiveram uma participação essencial, no âmbito de um projeto que valorizou diversos espaços públicos de Londrina. Muitos dos participantes vivenciaram uma evolução significativa, e já estão começando suas trajetórias como artistas, de forma autônoma. Ainda que o coletivo CapStyle seja independente, é muito importante que o poder público patrocine esse tipo de projeto, pois os recursos repassados pela Prefeitura possibilitaram que a gente entregasse um trabalho de maior amplitude e alcance, contribuindo principalmente para a compra de materiais”, disse.

Foto: Vivian Honorato – N.Com

A artista Maju Esteves, que foi aluna das oficinas do projeto Caminhos do Graffiti, contou que é formada em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e também atua como arte-educadora na Associação Londrinense de Circo, na área do teatro. “Além de trabalhar com teatro, também pinto há muito tempo, e há três anos venho produzindo arte em telas e outros suportes menores, mas ainda não tinha tanta prática no graffiti e decidi me aprofundar mais. As oficinas foram enriquecedoras, pois tive a oportunidade de conhecer pessoas e artistas incríveis, e aprendi muito sobre as técnicas do graffiti”, disse.

Esteves, que usa o nome artístico de Esteves Art, destacou que pretende se profissionalizar como grafiteira, e que participará de outra ação do coletivo Capstyle chamada “Arte na Escola”. Seu trabalho é divulgado por meio do perfil de Instagram @esteves.art.

“O graffiti é uma extensão da arte para a rua, e permite que as obras sejam vistas por muitas pessoas. São trabalhos que despertam sentimentos nas pessoas que passam, e cada um os interpreta de uma forma, ressignificando as ilustrações. Nas minhas obras, procuro retratar as mulheres, expressando a nossa luta e o fato de que existimos, ocupamos espaços e somos fortes”, pontuou a artista.

Confira as intervenções nos seis pontos anteriores  

– 1ª etapa: Tema: “Café” – Local: Viaduto da Rua Attílio Octávio Bisatto

Foto: Emerson Dias / NCom

– 2ª etapa: Tema: “Pioneiros” – Local: Viaduto da Avenida Celso Garcia Cid, sobre a Avenida Dez de Dezembro

Foto: Emerson Dias / NCom

– 3ª etapa: Tema: “Londrina, Cidade das Artes” – Local: Viaduto da Avenida Celso Garcia Cid, sobre a Avenida Dez de Dezembro

Foto: Vivian Honorato / Ncom

– 4ª etapa: Tema: “Aviação” – Local: Viaduto da Avenida Santos Dumont, sobre a Avenida Dez de Dezembro

Foto: Vivian Honorato / Ncom

– 5ª etapa: Tema: “Vilanova Artigas” – Local: Viaduto da Avenida Santos Dumont, sobre a Avenida Dez de Dezembro

Foto: Vivian Honorato / Ncom

– 6ª etapa: Tema: “História da TV e do Rádio em Londrina” – Local: Viaduto da Avenida Juscelino Kubitschek, sobre a Avenida Dez de Dezembro.

Foto: Emerson Dias / Ncom

Foto: Vivian Honorato – N.Com

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