Os Nove Desconhecidos, série divertida para curtir no fim de semana

Fim de semana com friozinho e chuva, pelo menos enquanto o texto é escrito, e com péssimos lançamentos no cinema, nada melhor do que ficar em casa com bons livros, bons filmes e séries e, com moderação, um bom vinho.

Imagine o super drama Big Little Lies, mas com Nicole Kidman com sotaque russo e Melissa McCarthy em princípio de depressão. Isto é o que apresenta Os Nove Desconhecidos, em exibição no Amazon Prime. Assim como Big Little Lies, a série também é adaptada do livro da australiana Liane Moriarty e, talvez por esse estigma, não consiga se entregar totalmente à comédia.

O roteiro adaptado fica por conta de David E. Kelley (Big Sky – 2020) e John Henry Butterworth (Ford vs Ferrari – 2019). Os dois dão conta de apresentar uma trama interessantíssima, enxuta, com nove personagens relevantes e tudo em pouquíssimos capítulos. No elenco estelar: Nicole Kidman lindíssima, Melissa McCarthy engraçada mesmo com depressão, Bobby Cannavale, Michael Shannon, entre outros.

Na trama, nove desconhecidos são convidados para passar uma semana no spa espiritual Tranquillum House. A diretora Masha (Kidman) escolhe a dedo os convidados para seu spa, cada um carrega um pesado fardo e, na vivência com os outros convidados, se curam. À medida em que os dias vão se passando no local paradisíaco, os demônios de cada um começam a aparecer, inclusive os de Masha, além de outras coisinhas a mais.

Ironias à parte, Nicole Kidman, por vezes, nos remete a Walter Mercado, o doido do Ligue Djá, e os métodos de seu Spa lembram Gwyneth Paltrow e seu programa de tv Goop Lab, aquele de curas alternativas; olhar e conhecer a própria vagina, tomar chá de cogumelos, comer coisas estranhas, e por aí vai. E a atriz acerta em cheio, é exatamente isso que Masha personifica, essa mistura estranha e exótica, exteriormente forte e interiormente frágil, um estereótipo espiritual contemporâneo.

Outra grande surpresa da série é a atriz Asher Keddie (Stateless – 2020). Keddie apresenta os momentos mais dramáticos e intensos da trama, tudo com grande sutileza e intensidade, sem escorregar no dramalhão do tipo choro com lágrimas abundantes com cabelos desgrenhados.

Excelentes atuações, uma fotografia linda, uma trama certeira e um roteiro enxuto discutindo em suas entrelinhas os males do século. Aproveite.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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