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Pela Tarifa Zero no transporte coletivo

Por Wilson Moreira

O transporte coletivo é um grande problema e desvalorizado em detrimento do individual. Um claro exemplo disso é o que ocorre com o trânsito nas cidades médias e grandes. Em linhas gerais, o que marca o transporte público urbano é a péssima qualidade associada ao alto custo para o cidadão usuário. Tudo isso tem prejudicado o meio ambiente, o trânsito e todos que precisam se locomover por uma cidade, onde o estudo, trabalho e lazer dependem de transporte todos os dias.

Boa notícia é que algumas cidades brasileiras já vivem a experiência do transporte público gratuito aos passageiros. Segundo o site de economia Infomoney, um levantamento feito pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), em novembro de 2023, mostra que 14 estados do país possuem municípios que adotam a tarifa zero, seja de maneira universal (nos sete dias da semana) ou em dias determinados da semana ou para grupos específicos, totalizando 103 cidades. No Paraná são 12 cidades na lista.

Todos sabemos que os custos do transporte público são muito altos ao município, no entanto os benefícios econômicos, sociais e ambientais da Tarifa Zero poderão ser muito mais compensadores
Foto: Arquivo/CML

Todos sabemos que os custos do transporte público são muito altos ao município, no entanto os benefícios econômicos, sociais e ambientais de tal medida poderão ser muito mais compensadores. É necessário que o transporte coletivo urbano passe por uma total reestruturação a fim de servir melhor ao cidadão. O transporte público precisa ser assumido como elemento fundamental em uma cidade. A mobilidade urbana precisa ser garantida a todos e em qualquer momento, com boa qualidade. Há muitos custos e atores envolvidos nas planilhas das empresas. Tudo isso é certo, mas é preciso um novo olhar.

Por mais que pareça absurdo, é possível a gratuidade do transporte público para o usuário. Repensar a questão é preciso. Reestruturar o sistema é possível.  O primeiro passo seria iniciar pensando na gratuidade.  

Em Londrina, a planilha deveria ser reformulada sendo orientada para o custo real do sistema. A estrutura para manter o sistema pago poderia ser enxuta para o sistema livre, como por exemplo eliminando o terminal central (com seu custo elevado de manutenção), e redefinindo todas as linhas, já que o sistema de integração não faria mais sentido. Com certeza, a partir de estudo detalhado e transparente de todos os custos se poderia estabelecer quanto custaria “bancar” o sistema livre. A partir daí o município pagaria mensalmente à empresa responsável pelo serviço prestado.

Tarifa Zero: de onde viria o dinheiro?

E o dinheiro para pagar a conta? O empenho político poderia buscar desonerações em preços de combustíveis e de impostos exclusivos aos ônibus e até buscar os mesmos incentivos que são concedidos às montadoras de automóveis. Também poder-se-ia buscar recursos específicos e permanentes junto aos Ministérios das Cidades, Meio Ambiente, Educação, Trabalho, entre outros. Os empresários poderiam continuar contribuindo com sua parte do vale-transporte, agora repassando direto ao município. Outra ótima fonte de receitas seria utilizar todo o potencial publicitário do sistema: Ônibus, pontos de ônibus e terminais poderiam ser fonte de recursos de alguma forma, inclusive o espaço do terminal central.

Os desafios a serem enfrentados não são fáceis, no entanto é possível, e os benefícios seriam para todos na cidade. Circular pela cidade de ônibus sem pagar traria expressivos ganhos ao trânsito, meio ambiente, à economia, à educação, à cultura… E principalmente atenderia à população mais pobre que depende de ônibus para procurar emprego, cuidar da saúde e aos que trabalham na informalidade. Enfim, mesmo que o município bancasse uma parte dos custos, como já faz, o ganho social seria enorme.

Dar ao transporte coletivo seu real valor é se importar com os cidadãos em suas necessidades fundamentais de convivência no espaço urbano. A tarifa zero é um avanço extraordinário para as cidades. Permitirá a liberdade de mobilidade para população de baixa renda ao mesmo tempo que movimentará a economia, os espaços de lazer e ainda beneficiando o meio ambiente e o trânsito, que deverá ter menos carros pelas ruas. Tarifa Zero é um avanço fundamental nos novos tempos em que vivemos.

(*) Wilson Moreira é policial penal, cientista social e poeta em Londrina

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O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

Foto: Arquivo/CML

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1 comentário

  1. Muito bom a matéria da TARIFA ZERO, já caminha até 2.030 todas as Cidades do Brasil deve adotar a TARIFA ZERO, LONDRINA PARANÁ.

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