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A magia da música com graça e nostalgia

Por Suzi Bonfim (*)

Na fria e ensolarada manhã de domingo (11), uma viagem musical inspiradora e didática, no total sentido da palavra, me trouxe memórias da infância e da minha mãe Maria Argentina. Foi ela quem me ensinou boa parte das músicas que o Quinteto de Cordas da Orquestra de Câmara Solistas de Londrina, o percussionista Marcello Casagrande e o coral União para Vitória apresentaram no concerto “O Mundo Mágico da Música”, no Espaço Villa Rica, centro da cidade. A condução do roteiro pela palhaça Adelaide, personagem da atriz Juliana Galante, transformou a apresentação de música clássica em uma forma de aprendizado leve e divertida para uma plateia de crianças e adultos.

O caráter educativo do espetáculo, reunindo conhecimento sobre as composições, instrumentos e funções de cada um no concerto, a trajetória dos músicos (todos começaram no ofício entre 6 e 9 anos) e até como a plateia deve se comportar durante a execução dos clássicos, especialmente durante a chamada “sutileza da música”, foi excelente. Aprendizado tanto para quem estava assistindo, quanto para os músicos no palco. Afinal, o quinteto e o percussionista convidado tiveram que lidar com um componente extra, certamente previsto pela produção: a movimentação das crianças mais impacientes pelos corredores da sala, e o eventual choro dos mais pequenos.

A sala Villa Rica ficou lotada, como nos bons tempos do cinema antes do fechamento de duas décadas. O mais interessante é que, apesar de muitas crianças presentes na plateia, não mais do que cinco ou seis não fizeram o combinado com a Adelaide. Neste caso, talvez porque os responsáveis pelos meninos – a maioria entre os inquietos – não chamaram a atenção do filho/neto para que ele entendesse que não era momento para brincar. Limites, simples assim.

Felizmente, a magia tomou conta e os pequenos incidentes – teve até criança subindo no palco – não tiraram o brilho do concerto. No repertório, pérolas de um dos maiores compositores do país, o maestro Villa Lobos e do mundo como Mozart. Adorei saber que Villa Lobos se inspirou no barulho do trem em uma das suas composições mais emblemáticas, O trenzinho do Caipira e que a música original de Atirei o Pau no Gato é uma versão da composição Pequena Serenata Noturna, de Mozart. Tudo isso, com tiradas impagáveis de Adelaide, ao longo da apresentação.

Ver a interação das crianças mostra como o acesso à cultura é fundamental para a formação do ser humano. A coordenadora da Orquestra de Câmara “Solistas de Londrina”, Irina Ratcheva, que idealizou o projeto, disse que o concerto vai continuar sendo apresentado em escolas públicas e privadas do município para envolver o maior número de crianças e jovens nesse processo de descoberta.

O tom saudosista para quem é da minha geração ficou por conta de canções como Terezinha de Jesus, Alecrim Dourado e Escravos de Jó, entre outras. Minha mãe, dona Maria, com certeza, teria se divertido muito como eu e aqueles que aproveitaram a oportunidade, neste fim de semana. Ansiosa por mais.

(*) Suzi Bonfim é jornalista em Londrina, na fase R, de retorno, recomeço, reencontro. Formada na UEL, está de volta depois de quase 30 anos em Cuiabá-MT, encarando os desafios da pequena Londres.

Foto: Suzi Bonfim

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