O que Bolsonaro e o Talibã têm em comum?

O Afeganistão voltou ao noticiário mundial depois que o grupo terrorista Talibã retomou o poder do país, numa vergonhosa e desastrosa retirada das tropas dos Estados Unidos. Quem perde com isso é o próprio povo afegão, principalmente, as mulheres, que já têm seus direitos restritos pela religião. Quando se vê e se ouve sobre isso, os julgamentos ocidentais são taxativos: dizem ser absurdo, retrocesso e inaceitável. O que não se percebe é que governos extremistas, seja para a esquerda ou para a direita, fazem a mesma coisa por aqui, travestidos de democráticos.

A reação do presidente Jair Bolsonaro, ao pedir que a Organização das Nações Unidas (ONU) reaja ao Talibã, nada mais é que uma cortina de fumaça para esconder seus próprios rompantes autoritários. Numa comparação simplista, já é possível identificar traços semelhantes entre o mandatário brasileiro e o grupo extremista afegão: cultura do ódio, arma na mão, misoginia, ideias ultraconservadoras, autoristarismo, entre outros aspectos, como o próprio negacionismo científico.

Para ambos, lugar de mulher não é no mercado de trabalho. É na cozinha, cuidando do marido cafajeste que sai para trabalhar e para trair. Tanto um quanto outro consideram a educação um privilégio para poucos. Vide as falas do (mais um) ministro da deseducação do governo, sobre alunos deficientes que atrapalham o rendimento de outros e sobre haver muitos estudantes com curso superior. Que século nós vivemos? É Idade Média no Brasil? E no Afeganistão?

Muitas vezes, o problema é que, seja lá ou seja cá, a religião é utilizada com desculpa para que o ser humano coloque para fora o que há de pior em si. O Brasil e o Afeganistão vivem um retrocesso cultural muito grande. Só que o projeto tupiniquim de ditadura extremista é amigo e puxa saco do Tio Sam, por isso, não se pensa em qualquer intervenção por aqui, como houve no país afegão durante os últimos 20 anos. Mesmo assim, não se pode ignorar que o brasileiro está à beira de perder liberdades diante de um presidente fundamentalista.

É preciso tomar muito cuidado com quem vai para diante das câmeras dizer que tudo é lindo e maravilhoso, como fez o Talibã e como faz Bolsonaro. Até porque a punhalada vem pelas costas, nem sempre pela frente.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Carolina Antunes/PR/Fotos Públicas

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