O Ofício da Escrita em Londrina

Por Cassiano Russo, professor de Filosofia

Meu ofício é escrever. Nenhuma ocupação senão a escrita me interessa mais nesta vida. É por isso que deixei de lado todas as minhas pretensões não literárias. Sobrevivo das palavras. Fora delas, tudo é ficção. Como Serguei Dovlátov, prefiro fazer uso de vocábulos a procurar outra profissão, como relata o escritor russo em O Ofício. A arte da escrita é a garantia de que tenho um lugar ao sol. O resto é apenas o resto, sem literatura.

Sou real quando escrevo, sei que existo nas palavras. Do contrário, sou apenas uma sombra, total ausência de luz. E vou colorindo meu mundo com minhas divagações de cronista em letras impressas, sem me preocupar se elas serão lidas ou não, pois o que me importa é que eu consiga ler quem eu sou e me realizar nesse meu processo de busca constante pelo universo da escrita, como os pássaros que cumprem seu dever de embelezar os meus dias com suas melodias. E eu também escrevo como os pássaros, movido pelo objetivo de embelezar o mundo.

É certo que nem sempre meu canto é belo, mas, às vezes, em dias de primavera, entoo belas melodias, que encontro no olhar das moças em minhas caminhadas pelo calçadão. Sim, eis o meu trabalho: musicar minha alegria de ver a beleza estampada na esperança de um sorriso, ou olhar, a pintar paisagens do paraíso que vislumbro em meus momentos de solidão, quando sinto o calor do sol a aquecer minha alma. Nessas ocasiões, sei que tenho que deixar minha marca de artista, e a escrita é minha tela na qual pinto o mundo, pois, em cada coisa ignorada pela maioria, em cada coisa que os homens desprezam, encontro o objeto de meu ofício.

Tenho plena consciência de que não sou o sabiá da crônica – não sou Rubem Braga! –, porém sigo no meu perambular por Londrina e região, a exercer minha incumbência de levar luz aos leitores. Esse é o motivo pelo qual eu escrevo. Sem ele, minha existência seria qualquer coisa a menos do que sou, porque, no mister de tecer a crônica, as coisas adquirem sua eternidade, ainda que por um instante, nestas minhas linhas de segundas-feiras, das quais sou parte do olhar sobre os acontecimentos, aquela mais subjetiva, talvez, a que vê a cidade que pulsa em meu coração, pelo olhar das gentes com pressa, que só se reconhecem quando param para ler e tomar café, em suas residências desta cidade tão linda do Norte do Paraná.

Cidade que eu amo e que nunca deixarei!

Você é e sempre será minha inspiração literária, minha bela Londrina!

Foto: Arquivo/Emerson Dias/N.Com

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