O grande e majestoso paranaense MON

Por Angela Diana

O LONDRINENSE trouxe uma reportagem sobre o Museu Oscar Niemeyer (MON) e eu que, às vezes, sou um pouquinho lerdinha, mas não tanto assim, aproveito aqui o “gancho” para contar a experiência que eu e minha prima (que nunca tinha entrado em um museu tão grande) tivemos nele!

Em 2015, eu tive a missão de levar minha prima Fernanda que, já adulta, nunca tinha visto ou sentido o gosto da água do mar! Inclusive, filmei esse momento especial dela entrando pela primeira vez, nas águas com a proteção de nossa mãe Yemanjá. Depois de uma semana em Itajaí, partimos para Curitiba e, como não podia deixar de ser quando se tem parente artista, “arrastei” ela pra tudo quanto foi museu!

Foto: Exposição no Mon/Angela Diana

O MON estava com várias expos, tanto itinerantes, quanto do acervo. E uma das coisas que mais me marcaram é que boa parte das obras que tinham sido tomadas dos corruptos na época em uma das operações da “Lava Jato”. Vimos de estilos clássicos ao modernismo às obras mais contemporâneas .Algumas dessas, eram feitas em painéis gigantes de vidro e tinham “cordas” virtuais , quando se encostava nelas, essas tocavam! Minha prima achou o máximo (e eu também)!

Esculturas do meu ceramista predileto Brennand (de quem já tinha visto uma expo enorme no MON, anos antes), estão nos jardins do museu. Uma das sensações mais emocionante é andar pelo corredor que dá acesso as outras salas de expos, pois, para quem curte muito a serie Star Trek (como minha mãe me ensinou a gostar), vai ter a sensação que está entrando num dos corredores redondos da nave.

Cerâmicas de Brennand no jardim do Mon – Foto: Angela Diana

Para mim, Oscar Niemeyer ou era um dos “ETs” entre nós ou um grande visionário, pois não é a única obra dele que se parece com as sonhadas naves espaciais… Agora a melhor e a última sala do museu é o OLHO,  todo recoberto de vidro, com uma iluminação teatral, parece que você está entrando em outro mundo! Lógico que é um museu para se colocar na lista dos que você precisa conhecer um dia (mas não demore! Respirar tanta arte assim restaura o espirito).

Infelizmente TUDO na vida tem os dois lados, não é? A chance de um artista de Londrina ou de qualquer outra cidade do Paraná de mostrar seu trabalho no MON é parecida com a chance de fazer uma expo no Louvre de Paris. Sim! É por aí… Só posso garantir para vocês que temos artistas aqui que mereciam estar no acervo do museu e fazer expos lá! Pois as obras são fantásticas! O que nos falta, afinal de contas, meu senhor Deus? Marchands, curadores, críticos que se voltem para o interior do estado e levem as pérolas que temos por aqui!

Instalação – Foto: Angela Diana

Que o estado invista na sua arte e nos seus artistas! Bairrismo? Pode ate ser! Mas nós, como artistas e também muitos trabalhadores da cultura, precisam disso! Enquanto a politica cultural não for séria e servir para todos, quem perde é a sociedade em geral e os artistas, que precisam pagar suas contas e sobreviver, ficam à mingua.

Será que um dia, as portas  dos grandes museus e das grandes expos vão se abrir para termos a chance de entrar (e arrasar, diga-se de passagem)? É uma incógnita…

Bom feriado para todos, todas e todes! E lembrem-se: ajudem O LONDRINENSE pelo CATARSE!

Foto: Ana Paula Barcellos

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto: Arquivo/AEN

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