O Esquadrão Suicida: James Gunn consegue fazer a DC voltar a respirar

Os cinemas reabriram e a melhor pedida para esta semana é O Esquadrão Suicida. Você já assistiu algum filme de ação classe C dos anos 80? Se já, vai se lembrar que as mortes eram incrivelmente violentas, rios de sangue, cérebros explodindo, membros corporais voando… Em O Esquadrão Suicida retornamos à década de 80, mas aqui nem toda violência é gratuita.

Dirigido por James Gunn (Guardiões da Galáxia – 2014), o filme tenta, e consegue, se afastar do péssimo Esquadrão Suicida de 2016. O próprio diretor classifica a película como uma versão da película anterior, mas, ao mesmo tempo, é uma continuação. Gunn é a grande aposta para dar uma revitalizada na franquia, tendo total controle sobre o roteiro do filme. Por este motivo há tantas mortes violentas e cartunescas, uma limpeza bombástica para se afastar da versão anterior.

O roteio é o clichê do clichê, o governo norte americano envia os super vilões mais perigosos do planeta para uma afastada ilha de Corto Maltese. Protegidos por armas de alta tecnologia, a escória planetária tem que atravessar a selva para derrubar um regime ditatorial.

Mas esse roteiro nas mãos de James Gunn é outra história, acrescenta-se aqui uma imaginação alucinógena, quase doentia, e uma mão que não tem medo ou vergonha de matar empalado uma das personalidades mais requisitadas de Hollywood. Gunn dirige seu filme como se fosse um caminhão de várias toneladas desgovernado em uma ribanceira, atropelando quem está na frente com muito sangue, barulho e humor. Talvez seja isso que falte à DC, uma direção fortíssima e comprometida com o resultado final.

Continuando com Gunn, ele dá uma incrível liberdade aos atores no projeto todo. As montanhas de cenas alopradas são competentemente seguradas por Margot Robbie (O Lobo de Wall Street – 2013) simplesmente fabulosa em sua personagem Arlequina, Viola Davis (A Voz Suprema do Blues – 2020) como uma agente chantagista do governo, Joel Kinnaman (Altered Carbon – 2018/2020) como um coronel quase doido, Idris Elba (Luther – 2010/2019) no papel do Sanguinário, exalando carisma e roubando as cenas juntamente com a novata portuguesa Daniela Melchior (Parque Mayer – 2018) no papel de Caça-Ratos II. Sem maiores explicações, vemos também um tubarão branco com pernas e braços, raciocínio super lento e com a voz de Sylvester Stallone.

Proibido para menores de 18 anos nos Estados Unidos, no Brasil chega com a faixa etária de 16 anos. Visual delirante, elenco galáctico, diversão alucinante. Nos cinemas da cidade.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *