Por Fábio Luporini

É certo que, desde que surgiu, a medicina transformou-se e se desenvolveu muito, evoluindo a tal ponto que é possível prevenir, diagnosticar, tratar e curar muitas das doenças que, antes, sequer eram conhecidas. Embora tenha vindo depois dos cuidados com a saúde no Egito, por exemplo, o grego Hipócrates é quem é considerado o pai da medicina, visto como uma das mais importantes figuras representantes do desenvolvimento intelectual grego, ao lado de Sócrates, Platão e Artistóteles. Apesar de tantas mudanças, uma mantém-se – ou deveria se manter – intacta: o cuidado com o doente.

É isso que pressupõe o juramento de Hipócrates, realizado por todos aqueles que se formam em Medicina: “aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém”. Entretanto, não é bem o que se tem visto, no Brasil, diferentemente do que disse Hipócrates mais de 2,5 mil anos atrás. Não me refiro apenas às sucessivas sabotagens da vacina contra a Covid-19, deliberadamente realizadas pelo governo brasileiro. E por seus representantes ministros da saúde, alguns deles médicos, enquanto outros sem qualquer compromisso com o referido juramento.

Mas, também, a casos como o da Prevent Sênior, uma operadora de saúde que supostamente pressionou seus colaboradores médicos a receitarem medicamentos do chamado kit covid, com eficácia não comprovada contra o coronavírus. Nesse caso, onde estão a ética e o respeito à saúde do paciente? Como fica o juramento feito? Pior ainda é saber que esta realidade pode ser maior do que se imagina ou se vê, porque tantas e tantas outras empresas privadas podem ter implantado práticas como essa.

Afinal, a gente sabe que, em pleno século XXI, a saúde e a medicina viraram um grande comércio. A lógica é de uma sociedade capitalista e liberal que permite vender ou trocar a saúde por moeda. E isso, infelizmente, não nos surpreende mais. O problema é que abre brechas para que tantos agentes possam comercializar a saúde alheia. Tal qual o caso do pedido de propina pela compra da vacina indiana Covaxin, que o Brasil descobriu atônito durante a CPI da pandemia.

E aí, o que mudou? Por enquanto, tudo está na mesma. Porque estamos permitindo que um bando de miliciano criminoso que tomou posse do Palácio do Planalto comercializa um dos bens mais preciosos que temos: a nossa própria saúde. Até quando?

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Reprodução da internet

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1 comentário

  1. O grande plano era deixar instalar o caos, com as pessoas morrendo à mingua e o colapso do sistema de saúde para então comprar as vacinas superfaturadas com propina de 1 dólar por dose, o que lhes renderiam 500 milhões de dólares ou quase 3 bilhões de reais roubados. Era o plano perfeito, aproveitando-se da pressão pelas vacinas para justificar a compra superfaturada sob pretexto da urgência, só não foi adiante graças ao STF que permitiu aos governadores atuarem e ao trabalho hercúleo do butantan e só se descobriu também graças à determinação do STF para que se instaurasse a CPI que investiga a bagunça.

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