Por Maurício Chiesa Carvalho

Você já ouviu falar de Nomofobia? Trata-se do medo de ficar sem o celular e/ou a tecnologia, que está sendo estudada de forma inicial, mas é sem dúvida uma discussão necessária, principalmente pela possibilidade de dano que pode causar, quando há mau uso dos dispositivos. É um transtorno especialmente comum na população jovem, que cresceu utilizando essas tecnologias e é a mais ativa nos meios digitais, especialmente nas redes sociais.

O uso de celulares tem crescido exponencialmente nos últimos anos, especialmente após o surgimento dos chamados dispositivos inteligentes. Os smartphones agora são nossos companheiros no trabalho, na vida social, no lazer e até mesmo no âmbito familiar. Entretanto, um uso excessivo pode causar problemas de dependência, vício e medo.

A nomofobia representa o medo irracional de estar sem o celular. O termo foi inventado em 2009 no Reino Unido e vem do anglicismo “nomophobia” (“no mobile-phone-phobia”). A dependência do dispositivo eletrônico causa uma sensação infundada de comunicação no usuário que não tem o aparelho, seja porque o deixou em casa, porque a bateria descarregou ou porque está fora da área de cobertura. Nesse sentido, um estudo do YouGov Real Time, em 2019, descobriu que 44% dos britânicos pesquisados ficavam ansiosos se não pudessem usar o celular para “manter contato” com seu círculo. 

No Brasil, em 2008, o Laboratório de Pânico e Respiração (LABPR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) iniciou o desenvolvimento de um estudo pioneiro tendo como foco a nomofobia e a dependência patológica das pessoas relacionadas com internet, computadores, telefones celulares, redes sociais, etc.

Embora a OMS ainda não tenha classificado a nomofobia como uma patologia mental, os especialistas alertam do crescimento da dependência deste pequeno dispositivo eletrônico desde o aparecimento dos smartphones. O crescimento desses smartphones tem sido exponencial. A Statista coloca o número atual de usuários de smartphones no mundo em 6,37 bilhões, o que significa que 80,7% da população mundial possui um desses dispositivos, comparado aos 3,67 bilhões em 2016, apenas 49,4% da população mundial. Os especialistas concordam que este aumento, junto com a facilidade de conexão à Internet, tem sido a semente do desenvolvimento desta dependência tecnológica.

As consequências psicológicas mais comuns da nomofobia são a ansiedade, a depressão ou o isolamento – acredita-se que os celulares nos mantêm em contato com os outros, mas o problema surge quando as relações virtuais substituem as presenciais. Há também consequências físicas como dores de cabeça, dores de estômago, desconforto nos olhos devido à superexposição à tela, ou dores no pulso e no pescoço devido ao posicionamento inadequado.

Cabe ressaltar que a tecnologia veio para ficar. E nas organizações, uma maneira de “acompanhar e evitar” estão na conscientização e na “permissão controlada”. Ou seja, estimule o uso com responsabilidade e permita o uso moderado.

Já ouviu falar que o que é proibido é mais gostoso? Segundo o filósofo alemão do século 19 Arthur Schopenhauer, o sentimento de ausência é o movimento precursor da busca que o ser humano empreende em sua vida: a procura pela realização pessoal, pelo relacionamento com o outro e pela tão fugidia felicidade. “Todo desejo nasce de uma falta, de um estado ou condição que não nos satisfazem: portanto, enquanto não for satisfeito, ele é sofrimento”.

Também, o exercício do Ócio Criativo, que trata em saber conciliar o trabalho com os estudos e o lazer de forma a equilibrá-los, sem se sobrecarregar e extraindo o máximo de cada momento? Com o ócio criativo, você é capaz de se entregar e dedicar inteiramente e desenvolver melhores ideias. Ócio Criativo é título de um livro do sociólogo do trabalho italiano Domenico De Masi e é também um conceito de trabalho que o autor define através da interseção entre três elementos: trabalho, estudo e jogo.

Assim, até usando como base pausas, micropausas e NR17 (Norma Regulamentadora 17) que trata de questões ergonômicas ao trabalho, utilize a metodologia 55/5: 55 minutos focado, 5 minutos permissivos para tais uso. Resultado: A ansiedade vai reduzir, o foco vai aumentar.

Os seres humanos não gostam de proibições nem de imposições pois veem sua liberdade ameaçada, algo extremamente valioso. A proibição gera diversos sentimentos e atitudes e, consequentemente, comportamentos contrários aos pretendidos. Isso porque sentimos a necessidade do novo, de nos encantar e de, principalmente, achar outras maneiras para se expressar e sentir.

Isto (relação nomofobia x proibição) muito forte principalmente em adolescentes ou jovens profissionais, a partir da geração Y. E atenção: tende a aumentar.

Pergunto: e suas práticas? Estão observando isto ou ainda pautam-se em modelos da geração X?

Afinal, você já foi um “jovem” e sabe como isso funciona. Pense como eles e conseguirá.

Foto: João Vanzo

Maurício Chiesa Carvalho

Administrador, Executivo de RH, psicanalista, consultor, docente e escritor. Conselheiro da Academia Europeia de Alta Gestão e um dos RHs mais Admirados do Brasil de 2021. Linkedin mauríciochiesacarvalho

Foto: Pexels

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