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Vesúvio produz os lendários vinhos Lachrima Christi

Por Edmilson Palermo Soares

Ao falar dos vinhos da Campânia não podemos esquecer de um dos vinhos mais famosos e lendários da Itália, o Lachrima Christi.

Produzido com uvas cultivadas aos pés do Vulcão Vesúvio, esse vinho encorpado e de alto teor alcóolico tem encantado não só os italianos, mas os apreciadores de um bom vinho em todo o mundo.

Existem várias lendas para o nome com a qual o vinho é conhecido.

A mais conhecida fala que Lúcifer, o Anjo Caído, veio morar no Monte Vesúvio após ser expulso do Paraíso. Do alto da montanha, expelia bolas de fogo que destruíam tudo à sua volta. Cristo, entristecido com aquela visão, começou a chorar. Suas lágrimas caíram aos pés do monte, dando origem às videiras das quais nasceram as uvas com a qual o vinho é feito.

Outra versão conta que Lúcifer, ao cair do céu, arrancou um pedaço do Paraíso que se transformou no Golfo de Nápoles, arrancando as lágrimas de Jesus.

Solo perfeito para a produção dos vinhos Lachrima Christi

O solo do Monte Vesúvio permite a produção de uma série de produtos. Os romanos já sabiam dessa característica do solo local, plantando uvas que lhes permitiam produzir saborosos vinhos. Eles acreditavam que Baco, o deus do vinho, adorava as colinas do vulcão, pois era de lá que vinha o mais delicioso néctar.

A lava e as cinzas que foram expelidas pelo Vesúvio ao longo dos séculos são extremamente ricas em minerais como ferro, magnésio e potássio, fazendo com que o terreno da região seja extremamente fértil. Como resultado disso, temos uvas que possuem um sabor e perfume inconfundíveis. Além das uvas, também são cultivados no entorno do Vesúvio os famosos tomates cereja, damascos e brócolis, além de vários tipos de cogumelos.

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Durante a Idade Média, os padres que viviam nas igrejas e monastérios da região deram continuidade ao costume de produzir vinhos.

Existem dois motivos para o fato de o vinho da região ter um alto teor alcoólico:

  • os padres eram submetidos a longos períodos de jejum alimentar em dias de missa, e por isso precisavam de um vinho que suprisse a falta de alimentação e os sustentassem até que pudessem voltar a comer;
  • a conservação do vinho, pois quanto mais alcóolico, mais tempo ele durava.

As igrejas produziam seus próprios vinhos, e as melhores uvas eram separadas para que fosse feito o vinho que seria consumido durante as missas.

 Os barris onde esse vinho era armazenado tinham marcas com as letras XPTO, que em grego significa Cristo, indicando ser aquele um vinho de missa.

Com o tempo, o costume de reservar as melhores uvas adquiriu apelo comercial, principalmente quando produtores locais, sem ligação com a igreja, passaram a produzir e comercializar o vinho. O que antes era reservado para as missas agora passou a ser sinônimo de excelência, tornando o vinho da região um produto muito valorizado e famoso, com origens bem definidas e controladas, sabor inconfundível, e valor histórico de grande importância.

As uvas produzidas na região (a maioria delas são apenas encontradas por lá) possuem um sabor e aromas únicos, que aumentam ainda mais o valor e a importância do vinho local.

As uvas utilizadas na produção do Lachrima Christi são as seguintes: Coda di volpe bianca (também chamada de Capretone), Verdeca, Falanghina, Greco di Tufo, Piedirosso (também chamada de Palummina), Sciascinoso (também chamada Olivella).

Os vinhos Lachrima Christi têm um sabor intenso, alto teor alcoólico. Para ser considerado um Lachrima Christi e ter a certificação de qualidade DOC (Denominazione di Origine Controllata), o vinho deve possuir uma graduação alcoólica mínima de 12 %, mas não é incomum encontrar vinhos com graduação alcoólica ainda maior.

LACHRIMA CHRISTI BIANCO

  • possui uma cor clara e um aroma agradável;
  • seu sabor é seco e ligeiramente ácido;
  • utiliza as uvas Coda di volpe bianca e/ou Verdeca (até 80%), Falanghina e/ou Greco di Tufo (até 20%) para atingir o teor mínimo de álcool de 12%;
  • combina com frutos do mar em geral, vegetais, queijos frescos e sobremesas.

LACHRIMA CHRISTI TINTO

  • possui cor vermelho rubi e aroma agradável;
  • possui um sabor seco, porém mais suave que o branco;
  • utiliza um mix de uvas Piedirosso e/ou Sciascinoso (até 80%), mais a uva Aglianico (max 20%);
  • combina bem com pratos como assados e aves nobres e queijos com sabor mais forte e apimentado.

LACHRIMA CHRISTI ROSATO

  • cor rosé (com diferentes intensidades), aroma agradável e sabor seco;
  • feito com as uvas Piedirosso e/ou Sciascinoso (até 80%) e Aglianico (max 20%);
  • combina com carnes brancas, vegetais e alguns frutos do mar.

Estudos apontam que o Lachrima Christi é o vinho mais próximo daquele que era bebido pelos antigos romanos.

É importante não confundir o Lacrima Christi com outro vinho italiano muito famoso: o Lachrima di Morro d’Alba. Esse vinho é um DOC produzido na província de Ancona, região do Marche, e que utiliza a uva lacrima, cujo nome deriva de seu formato semelhante a uma lágrima.

Que tal essa experiência?

Edmilson Palermo Soares

A ilha italiana da Sardenha tem uma história milenar, com um grande acervo arqueológico, belas praias e vinhos de qualidade superior

Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral.

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Fotos: lacooltura.com e clubevinhosportugueses.pt

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