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Supertoscans: os vinhos fora-da-lei da Toscana

Por Edmilson Palermo Soares

Na região vinícola mais prestigiada da Itália existem vinhos de fama internacional, vinhos excelentes, mas que não estão incluídos na classificação de vinhos italianos. São os Supertoscans.

Os vinhos supertoscans começaram a surgir no final da década de 1960 e início da década de 1970, frutos da insatisfação de alguns produtores com as regras rígidas das Denominações de Origem Controlada (DOC) e Denominações de Origem Controlada e Garantida (DOCG) da Toscana, como a de Chianti.

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Os vinhos que não se enquadravam nessas regras são classificados como Vino da Tavola, a categoria mais simples dos vinhos italianos. Porém, esses vinhos apresentavam uma qualidade muito superior aos outros vinhos assim classificados.

Por essa razão, os supertoscans acabaram sendo conhecidos como “vinhos fora da lei” da Toscana.

O termo supertoscan refere-se a um estilo de vinho tinto, elaborado dentro da região vitivinícola da Toscana, que pode, ou não, incluir em seu corte uvas não autóctones da região, como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Syrah.

Mas essa não é uma regra. Alguns vinhos supertoscanos são elaborados apenas com uvas nativas da região, como a tradicional Sangiovese.

Os vinhos supertoscans também se diferenciam dos vinhos tradicionais da Toscana em seu método de produção, utilizando, por exemplo, tanques de cimento na fermentação e pequenos barris de carvalho no envelhecimento.

Os Supertoscans  se diferenciam dos vinhos tradicionais da Toscana em seu método de produção
Image by bearfotos on Freepik

Os melhores Supertoscans são encorpados, ricos em sabores, com taninos incorporados e aromas de carvalho, podendo envelhecer por décadas.

Supertoscans: entre os melhores

O primeiro vinho a receber o nome de supertoscans foi o Sassicaia da Tenuta San Guido, lançado pela primeira vez em 1968, a partir de um blend das variedades francesas Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.

Em 1971, a família Antinori lança o vinho Tignanello, elaborado com um corte das uvas Sangiovese, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, envelhecido em barricas de carvalho.

Foto: Divulgação/antinori.it

Não há um único terroir, porque praticamente em quase toda toscana as vinícolas escolhem produzir e denominar um seu vinho como Supertoscan, diferentemente dos outros clássicos que são de uma região determinada.

Por essa razão, os vinhos supertoscanos foi oficialmente reconhecido pelo governo da Itália em 1992, com a criação da Indicação Geografica Tipica (IGT) da Toscana, com regras mais flexíveis, permitindo o uso de variedades internacionais no corte dos vinhos e o envelhecimento em barris de carvalho.

O Solaia, da Antinori, por exemplo, é um rótulo que, safra após safra, figura na lista dos melhores vinhos do mundo. Na colheita de 2016, ele conquistou a pontuação máxima de 100 pontos do crítico Robert Parker.

Se ainda não teve a oportunidade de experimentar um destes vinhos, não perca tempo. Será uma experiência inesquecível.

Edmilson Palermo Soares

Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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