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Lombardia: 5.000 anos de História

Por Edmilson Palermo Soares

Não tem como falar de vinho e não falar de História. Aqui, na região da Lombardia, no Norte da Itália, temos também que falar de Pré-História.

A idade do Bronze faz parte da Pré-História da Humanidade, entre os anos de 3300 a.C. a 1200 a.C. O cultivo da videira na Lombardia remonta a esses tempos, na época dos primeiros assentamentos humanos nas margens do lago de Garda e do Lago de Iseo.

A partir do século VII a.C., populações réticas (povos que ocupavam a Áustria e Suíça), etrusca (Toscana, Lácio e Úmbria) e liguriana (povos antigos da época megalítica que ocuparam o norte da Itália) trouxe as primeiras técnicas de vinificação à região. Essas técnicas evoluíram exponencialmente com o início do Império Romano.

A Lombardia é a casa de várias espécies de uvas, das mais doces às mais ácidas. Essa característica é um grande trunfo da região, por possibilitar a produção de vinhos versáteis que mantém altas qualidades
Catedral de Milão, capital da Lombardia – Foto: Pexel

Após a queda do imponente império, a região passou a abrigar os lombardos (região herdou nome), e eles abandonaram o cultivo das uvas, situação que durou até o início da Idade Média, quando a disseminação da agricultura dos monges despertou o interesse pela vinha e para o vinho, mesmo que os sistemas de vinificação da época fornecessem um vinho muito azedo e de difícil conservação.

No final do século XVI, a influência das técnicas de vinificação advindas da França permitiu a produção dos primeiros Claretes (vinhos quase rose, menos tânicos) e vinhos cada vez melhores e de melhor armazenamento.

O mesmo período, porém, viu em muitas áreas o abandono da viticultura para o cultivo da amoreira e do bicho-da-seda.

No século XIX, os flagelos das pragas do oídio, do míldio e da filoxera mudaram completamente o quadro viticultor da região, levando ao desaparecimento de muitas vinhas nativas.

Houve uma lenta recuperação da viticultura, graças ao impulso da solução do problema da filoxera por meio de estacas enraizadas enxertadas em pé americano e ao progressivo aperfeiçoamento das técnicas de vinificação e cultivo. A difusão da videira e a produção de vinho na Lombardia abriram, assim, novos e antes impensáveis ​​horizontes.

Lombardia: essência para o mundo consumidor de vinhos

Hoje, a região é de essencial importância para o cenário nacional italiano e para todo o mundo consumidor de seus vinhos.

A Lombardia é dividida em doze províncias: Bérgamo, Brescia, Como, Cremona, Lecco, Lodi, Mântua, Milão, Monza e Brianza, Pavia, Sondrio e Varese. Tem uma população de 10.088.484 habitantes (a maior das regiões italianas) e 23.854 km². A capital é Milão.

A Lombardia é a casa de várias espécies de uvas, das mais doces às mais ácidas. Essa característica é um grande trunfo da região, por possibilitar a produção de vinhos versáteis que mantém altas qualidades.

Em Valtellina, a principal uva é Chiavennasca (Nebbiolo). Outras vinhas nativas são a Pignola , a Rossola , a Brugnola (conhecida em Emilia como Fortana ou Uva d’Oro), todas pretas, raramente vinificadas sozinhas e que fazem parte do blend dos clássicos vinhos Valtellina.

No Oltrepò Pavese, a uva mais comum é Barbera, seguida de perto por Croatina e Bonarda. Pinot Noir, Riesling Italico, Moscati e Malvasie.

A Lombardia abriga 5 Denominações de Origem Controlada e Garantida (DOCG); 23 DOCs, Denominações de Origem Controlada e 15 IGTs (Indicação Geográfica Típica).

As DOCG´s são as seguintes:

  • Franciacorta (falaremos no próximo artigo)
  • Método Oltrepò Pavese Classic
  • Scanzo ou Moscato di Scanzo
  • Sforzato di Valtellina ou Sfursat di Valtellina
  • Valtellina Superiore

DOCs:

  • Bonarda dell’Oltrepò Pavese;
  • Botticino;
  • Buttafuoco de Oltrepò Pavese ou Buttafuoco;
  • Capriano del Colle;
  • Casteggio;
  • Cellatica;
  • Curtefranca;
  • Garda Colli Mantovani;
  • Garda;
  • Lambrusco Mantovano;
  • Lugana;
  • Oltrepò Pavese;
  • Oltrepò Pavese Pinot Grigio;
  • Pinot Noir de Oltrepò Pavese;
  • Riviera del Garda Bresciano ou Garda Bresciano;
  • Riviera del Garda Classico;
  • San Colombano al Lambro ou San Colombano;
  • San Martino della Battaglia;
  • Sangue de Judas de Oltrepò Pavese ou Sangue de Judas;
  • Terre del Colleoni ou Colleoni;
  • Valcalepio;
  • Valtellina Rosso;
  • Valtenesi

Edmilson Palermo Soares

Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin

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Foto: Pexels

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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1 comentário

  1. Parabéns, Edmilson Palermo. Excelente artigo. Clareou ainda mais alguns aspectos desta região norte da Itália. Escreva sempre ! Abraço.

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