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Molise: conhece esta região da Itália e seus vinhos?

Por Edmilson Palermo Soares

A Viticultura de Molise (região central da Itália) existe desde os tempos pré-romanos e romanos. Os samnitas eram o povo original desta área e conheciam a arte de cultivar vinhas, preparar vinho e outras bebidas fermentadas, tendo aprendido com gregos e etruscos. 

O cultivo da vinha experimentou posteriormente períodos alternados de floração e apodrecimento e, ao longo do tempo ,estendeu-se à maioria dos territórios do Molise, mas foi apenas entre os séculos XVIII e XIX que a viticultura ganhou importância e fez de Molise o principal produtor de vinhos do Reino de Nápoles.

Após a praga da Flioxera, a região recuperou força. Saindo do interior e das montanhas, passando a estabelecer-se ao longo da costa, tronando-se numa das mais importantes atividades agrícolas da região. Hoje, com pouco mais de sete mil hectares plantados com vinha, aparece nos mercados vitivinícolas nacionais e até mesmo nos internacionais, aliando tradição e tecnologia para criar um produto antigo e único.

Nesta região, os vinhos mais interessantes são os tintos, entre os quais os derivados da videira autóctone Tintilia (Tintilia del Molise DOC). Esta pequena região é claramente influenciada pelas culturas típicas das regiões vizinhas, de modo que as outras vinhas escuras cultivadas na região são Sangiovese, Montepulciano, Aglianico e Ciliegiolo. Entre as uvas com brancas temos: Trebbiano Toscano, Malvasia Bianca Lunga e Bombino bianco. Não faltam internacionais, brancos e tintos.

Existem quatro DOC e duas Denominações de Origem IGT

  • DOC: Biferno, Molise, Pentro e Tintilia.
  • IGT: Osco ou Terra degli Osci IGT e Rotae IGT.

O Pentro ou Pentro d’Isernia DOC tem os tipos tinto, rosé e branco, as duas primeiras uvas Montepulciano e Sangiovese e  Trebbiano Toscano (60–70%) e Bombino branco.

Molise DOC:

  • Cobre grande parte da área de Molise;
  • As versões Rosso e Riserva devem ser produzidas com no mínimo 85% de Montepulciano;
  • O Riserva pode ser qualificado como tal após um envelhecimento mínimo de dois anos, dos quais seis meses em barricas de madeira.
  • Para os tintos, as outras variedades permitidas são: Aglianico, Cabernet Sauvignon e Sangiovese;
  • Para os brancos: Falanghina, Chardonnay, Greco, Moscato bianco, Pinot bianco, Sauvignon Blanc e Trebbiano;
  • O novello pode ser produzido com 100% Montepulciano;
  • O espumante pode ser produzido com Chardonnay, Pinot bianco e Moscato com um mínimo de 85% para cada variedade de uva..

A Tintilia é uma uva autóctone do Molise, durante séculos considerada pela população local como a uva de excelência qualitativa. Sua continuidade estava em perigo após a introdução de vinhas mais produtivas, mas uma recente campanha de recuperação o salvou.

A viticultura de Molise já faz parte da história da Itália. E seus vinhos são difíceis de serem encontrados fora da Itália.
Uva Tintilia – Foto: Reprodução da internet

Tintilia DOC, obtido a partir da vinha com o mesmo nome, cuja produção é permitida em Molise nas duas províncias: Campobasso e Isernia. Possui uma bela cor vermelho rubi intensa e boa consistência.

Biferno DOC, branco, tinto e rosé é produzido na província de Campobasso e é um dos vinhos mais prestigiados de Molise. As vinhas que o originam são Montepulciano (60-70%), Trebbiano Toscano (15-20%), Aglianico (15-20%) e quaisquer outras (máximo 5%). Devido ao corte de Montepulciano e Aglianico é geralmente dotado de elegância e harmonia. Com idade mínima de 3 anos e teor alcoólico mínimo de 13 graus, pode conter as palavras Riserva.

Entre os vinhos doces, o Molise Moscato Passito destaca-se pelos aromas e elegância. O vinho é obtido a partir de uvas submetidas a secagem total ou parcial. A secagem, amassadura e o engarrafamento destes vinhos devem ocorrer obrigatoriamente em estabelecimentos situados dentro das fronteiras regionais. A secagem pode ser realizada diretamente na planta (secagem natural) ou, após a colheita, em salas adequadas (secagem artificial). A uva Moscato era conhecida na antiguidade com o nome de uva “apiane” porque, ao atingir a maturidade, atraía as abelhas. Parece que as origens desta videira são gregas. A família Moscato inclui uma infinidade de variedades diferentes.

Esses são os vinhos mais difíceis de serem encontrados fora da Itália, mas valem muito a experiência.

Chears!

Edmilson Palermo Soares

Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin

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Foto: www.italia.it

(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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