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Região do Lazio: o início de um Império

Por Edmilson Palermo Soares

Lazio é uma região da Itália central com cinco milhões de habitantes e 17.203 km², cuja capital é Roma, que também é a capital do país.

A região do Lazio, onde está Roma, é muito importante na cultura em geral e também para os vinhos. Sempre foi uma região grande produtora de vinhos

Faz fronteira com:

  • Norte: Toscana e Úmbria;
  • Leste: Marche, Abruzzo e Molise;
  • Sul: Campânia
  • Oeste: Mar Tirreno.

A produção familiar de vinho foi muito difundida nesta região, voltada até mesmo para o autoconsumo.

Com o surgimento da chamada viticultura moderna, a tendência para a produção de grandes quantidades de vinho prevaleceu também no Lazio. Essa modernização incidiu principalmente nas adegas sociais, que se dotaram de sistemas industriais de vinificação. Com isso, perdeu-se muito na qualidade.

Mas, a partir dos anos de 1990, as coisas mudaram. Muitos enólogos optaram por apostar nos excelentes vinhos explorando sobretudo o potencial das vinhas nativas, escolha que tem se mostrado a melhor que puderam fazer, pois a região ganhou notabilidade por causa de seus exuberantes vinhos.

Lazio, importante para cultura

O Lazio é de grande importância para a história, as artes, a arquitetura, a religião e para a cultura em geral. O imenso patrimônio da cidade de Roma forma apenas uma parte da riqueza que se estendia pelas centenas de cidades, vilas, abadias, igrejas, monumentos e outros locais da região, que vai da cordilheira dos Apeninos, espinha dorsal da Península Itálica, ao mar Tirreno.

Seu nome, originalmente Latium, remete aos latinos, povo do qual os romanos descendem e cujo idioma, o latim, tornou-se a língua formal do Império Romano, tendo sido amplamente difundido nos territórios sob o seu domínio. De enorme importância histórica e cultural, foi o local onde Roma foi fundada, por volta do século VIII a.C.

A região que se tornaria o Lazio era habitada, nos séculos anteriores à habitação dos romanos, por diversos povos, alguns de origem não europeia. Foi dominada pelos etruscos, tanto cultural como politicamente, mas era uma região com várias culturas locais, onde cada cidade-estado possuía a sua própria, de alguma forma relativa à Grécia. De fato, o comércio com os gregos e com os fenícios influenciou fortemente a cultura etrusca, que adquiriu seu alfabeto (depois herdado por Roma) e alguns traços culturais a partir destas duas fontes.

E foi justamente o povo etrusco que iniciou a exploração de todo o potencial vinícola dessas terras.

A palavra vinho deriva da palavra etrusca vinum, da qual tem origem todas as demais denominações da bebida nas principais línguas faladas na Europa: vino, wine, vin, wein.

Os Volsci, habitantes originais do Lazio antes dos romanos, pisaram as uvas Aminea e as batizaram com o nome da cidade de Falernum, situada no coração da região vinícola. Havia vinho Falernum  tinto e branco.

Plínio, o Velho, famoso autor e capitão naval do início do Império Romano, considerou o Falernum como o melhor vinho que já provara, descrevendo-o como doce e forte.

A região era considerada pelos romanos não apenas como sua despensa, mas também como sua adega. Foi o primeiro grande centro produtor da bebida em todo o mundo, era fermentado e transportado em ânforas ou odres (bolsas de pele) e, com a expansão do Império Romano, seu consumo ganhou o mundo, tornando-se parte integrante da dieta dos principais centros urbanos da época.

Depois do império, a tradição enológica foi recolhida pelo monarquismo e depois cultivada pelos papas do Renascimento. Nos séculos XVIII e XIX, a cultura do vinho no Estado da Igreja declinou, até a chegada dos Piemonteses. No final do século XIX, os vinhos mais conhecidos da Lazio eram Castelli Romani, Frascati, Marino, todos obtidos de vinhas nativas.

Ao contrário de outras regiões italianas, em que as uvas tintas são mais numerosas, cerca de 76% das uvas cultivadas no Lazio são brancas.

A região possui uma grande variedade de vinhas cultivadas, tanto nativas como internacionais. Entre as castas mais escuras, a casta autóctone (nativa) mais importante é sem dúvida a Cesanese, que é a base de vinhos de excelência absoluta. Montepulciano, Ciliegiolo, Merlot, Cabernet Sauvignon e, em alguns casos, também Barbera também são fáceis de encontrar na região.

Os vinhos brancos são obtidos principalmente com Malvasie e Trebbiani, entre os quais podemos citar os Malvasia Bianca Lunga, Malvasia bianca di Candia, Malvasia del Lazio (com os clones Bellone, Cacchione e Bonvino bianco), Trebbiano Giallo, Trebbiano Toscano e Trebbiano del Lazio.

Há também a Grechetto, que é uma videira cultivada principalmente nas áreas de Viterbo, na fronteira com a Úmbria.

As Denominações de origem da Região são:

  • DOCG: Cannellino di Frascati, Cesanese del Piglio ou Piglio, Frascati Superiore;
  • DOC: Aleatico di Gradoli, Aprilia, Atina, White Capena, Castelli Romani, Cerveteri, Cesanese di Affile ou Affile, Cesanese di Olevano Romano ou Olevano Romano, Circeo, Colli Albani, Colli della Sabina. Colli Etruschi Viterbesi ou Tuscia, Colli Lanuvini, Leste!! Leste!! Leste!! de Montefiascone, Frascati, Genazzano, Marino, Montecompatri Colonna, Neptune, Orvieto, Roma, Tarquinia, Terracina ou Moscato di Terracina, Velletri, ignanello, Zagarolo;
  • IGTS: Anagni, Civitella d’Agliano, Colli Cimini, Costa Etrusco Romana, Frusinate ou Frusinate, Lazio.

Na semana que vem falaremos um pouco sobre os principais vinhos da região.

Edmilson Palermo Soares

Enófilo, sócio proprietário da Confraria da Taverna, loja de vinhos e espumantes que traz novas experiências no mundo do vinho, estudioso e entusiasta, com conhecimento prático provando vinhos de mais de 20 países e diversas uvas desconhecidas do público em geral. Me siga nas redes sociais: no Instagram @contaverna, Facebook Confraria da Taverna e Linkedin

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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