Skip to content

Onde estão as professoras negras?

A data de 15 de outubro é reservada para as “comemorações” envolvendo o Dia do Professor, mas é preciso pensar a respeito da representatividade da mulher negra nesse segmento da sociedade

Por Viviane Alexandrino

Recentemente, participei de um documentário a respeito da presença de mulheres negras na educação. As jornalistas responsáveis pelo documentário – duas mulheres negras – me explicaram que se sentiam incomodadas com a falta dessas profissionais na universidade e, então, resolveram produzir o produto audiovisual. O processo se deu assim: elas escolheram professoras negras da rede de ensino – particular e público – e começaram a entrevista com o seguinte questionamento: Você teve alguma professora negra durante sua formação?

Fui impactada com minha constatação: na formação básica, não. Na universidade, só no primeiro ano de graduação. No mestrado, a resposta também foi negativa. A realidade me trouxe um nó na garganta e a tentativa de entender o porquê de não estarmos em mais quantidade na educação.

Se pararmos para olhar os índices da inclusão da mulher negra na universidade, identificamos que a inserção tem melhorado, a passos lentos, mas há um indicativo de progressão. Mas o mesmo cenário não se apresenta favorável dentro da sala de aula. Ainda há um longo trajeto a ser trilhado para que a representatividade da mulher negra seja um expoente enquanto profissional da educação. Aproximadamente 70% dos docentes brasileiros são mulheres, mas não há dados que indiquem como está a inclusão feminina negra nesse segmento. É de suma importância mulheres negras na educação, principalmente para que uma educação antirracista seja construída e trabalhada nos contextos escolares.

Nosso protagonismo DEVE aparecer. E olha que indicativo do universo: quem criou a data do Dia do Professor, foi uma mulher negra, deputada: Antonieta de Barros, uma mulher potente, defensora da educação, revolucionária. E é assim que a educação precisa ser.

Ser uma professora negra em escolas da rede particular é muito representativo. Primeiro, porque precisamos estar em todos os espaços, antes não ocupados, para gerar uma moção de incômodo, algo como: ela chegou agora, por que outros não chegaram antes?

Segundo, porque alunos negros se sentem representados.  Eles percebem que o nosso cabelo é lindo, nossa cor, nossa ancestralidade e que temos possibilidades de pulsão de crescimento. Ainda que a sociedade seja limitante, é preciso ir. E vamos!

Uma das coisas mais emocionantes, em meus dias em sala de aula, é receber um desenho dos meus alunos, pois, nessas representações da Vivi, a minha cor e meu cabelo são destacados. Representatividade! Uma das demonstrações de amor mais oceânicas já ouvidas por mim foi “Não consigo entender quem pode dizer que seu cabelo é feio. Você é linda!” Então, paremos para pensar a respeito. Que eu consiga representar bem Antonieta de Barros e tantas outras educadoras negras. Axé!

Quem é Viviane Alexandrino

Sou a Viviane, tenho 36 anos e atuo como professora de Língua Portuguesa em colégios da cidade de Londrina. Além da formação em Letras Português, pela UEL, e mestranda em Estudos Literários pela referida instituição, sou formada também em Jornalismo, profissão essa que exerci durante 10 anos antes de me apaixonar pela educação

Foto: Katerina Holmes no Pexels

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Designed using Magazine Hoot. Powered by WordPress.