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Que perrengue comprar roupas novas para pré-adolescente!

Por Ana Paula Barcellos

Eu ia escrever sobre dicas de como fazer sobreposições nesses dias de clima doido e Dança da Manivela (Tá quente, tá frio) e como fazer camadas leves, mas a luta que tenho travado com as lojas de roupas novas me levou para outro caminho. Brecholenta assumida, compro peças novas também, mas pouca coisa e em lojas muito específicas: eis a vantagem de ter quase 40 anos bem vividos e conhecendo muito bem meu gosto, meu estilo e meu corpo.

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Essa semana bati o pé para comprar calças boas para Olívia, minha filha pré-adolescente estilosa. Estirou, ficou só com uma calça decente e essa era missão urgente: comprar pelo menos três calças boas que sirvam para ela ir à escola e passear – que convenhamos, nessa idade a calça de passear também vai pra escola às vezes.

Olívia é ainda mais decidida do que eu era na idade dela. Eu já sabia do que gostava e tinha um estilo bem definido, mas me abria bastante para as sugestões da minha mãe. Ela não, se tem algo em mente tem que ser do jeitinho que ela imaginou. E ela é tão sensata e razoável para sua idade, me pede tão pouca coisa, que fiz questão de ir atrás das peças que ela gosta. Quero que ela se sinta feliz e representada pelas roupas que usa – minha mãe também teve essa preocupação comigo nessa idade.

Olívia queria exatamente essa jogger: impossível encontrar no tamanho 16. Foto: Pinterest

Tem gente que acha que criança e pré-adolescente não pode escolher, pois eu acho fundamental que escolham (dentro do que é possível, claro) e exerçam independência, que sintam que estão validando seu jeito de ser, seus gostos. Uma das primeiras questões que ela definiu é que não queria roupa de brechó, queria comprar roupa nova. Pois não! Eu só não estava preparada para a saga que começaria naquele momento.

O pedido era simples: calça jogger, cargo ou wide leg porque ela quer abolir de vez as leggings (derramei uma lágrima por dentro, são tão práticas kk). Olívia gosta de conforto, mas não quer nada grudando na pele. E os três modelos sugeridos são “modinha”, era para ser uma busca tranquila.

Não foi. Primeiro porque a pré-adolescência caiu no limbo das roupas: a maioria das lojas de roupas infanto-juvenis parou de trabalhar com tamanho 16 (algumas não têm nem o 14), já não acha mais nem em loja de departamentos! A criança fica ali, sem meio termo: ou ainda usa tamanho 14 ou vai direto pro PP adulto!

Legging, único modelo fácil de encontrar para essa faixa etária. Foto: Pinterest

Nessa idade a gente passa por tantas mudanças, a necessidade de ser entendida, acolhida no meio de todas as transformações (do corpo, da mente, do emocional), e não tem roupa do seu tamanho para vestir? O pouco que a gente encontrou não era bonito.

Vinte lojas depois, sem exagero, conseguimos duas calças: uma jogger preta (que ela amou!) com caimento perfeito e uma de moletom mais ajustada, mais rocker, que ela pegou num tamanho maior e aí fica soltinha como ela gosta. A primeira com preço excelente (de loja do Centro), a segunda, de loja de shopping, é linda, mas não vale o que paguei.

Eu e o pai estamos cogitando fazer pelo menos uma sob medida, para passear – ela quer um modelo específico de cargo em brim. Não deve ficar muito barato, mas pelo menos é garantia de que vai ficar do jeito que ela quer e com boa qualidade. Ela também amou a wide leg com cintura alta, vamos continuar buscando. Na internet, o grande desafio fica por conta dos sites que não possuem tabela de medidas e da pouca oferta por parte das lojas mais conhecidas.

Tem um nicho aí a ser explorado: Lojas com peças de roupas boas e bonitas para pré-adolescentes, com modelos variados e preço razoável. Quem apostar nessa ideia vai ganhar rios de dinheiro com as mães e pais, podem apostar!

Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate. Me siga no Instagram @yo.anap e @experienciasdecabide

Foto principal: Pinterest

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