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Caro x barato: preço é mesmo sinônimo de qualidade?

Por Ana Paula Barcellos

Venho de uma família que – assim como tantas outras famílias brasileiras – é expert em comprar com preço bom e barato e passou isso muito bem para minha geração. Aprendi muito cedo, com meu pai, que sempre que der pra economizar, é melhor, mas que com algumas coisas não se economiza porque em certos casos que mesmo sendo caro, não dá mesmo pra abrir mão de qualidade – e esse virou um dos meus mantras.

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Com minha tia Lúcia, aprendi muito cedo a comprar roupas boas bonitas de verdade, com bom caimento, sem pagar muito. Ela sempre foi especialista nisso, tem um olho muito bom e uma mão melhor ainda – pegando na peça de roupa ela já sabia tudo sobre ela. Quase um dom!

Cansei de “bater perna” com ela, como a gente falava, em shopping, em boas lojas (ela era conhecida e tratada como rainha em várias lojas babadeiras da cidade, inclusive) atrás de boas oportunidades.

E foi assim que consegui meu primeiro guarda-roupas bom depois que meu pai morreu: garimpando coisa boa, em loja boa, que duraria um bom tempo em bom estado, e pagando o menos possível!

Preço x qualidade

Caro ou barato? O preço se

Tem gente que prefere gastar mais em roupa para garantir qualidade, como se fosse um investimento mesmo. Concordo com essa premissa em alguns casos específicos: calça jeans, sapatos, bolsas e casacos.

Nesses itens, como me ensinaram meu pai e minha tia, vale a pena investir mais – até porque você não vai encontrar um bom casaco de couro, uma boa bota, uma boa bolsa, pagando tão pouco. Nem em brechó, muito difícil. E eu não compro nada da gringa que seja barato demais por motivos óbvios.

E tem gente que não acredita que é possível conseguir roupa boa pagando pouco. Que barato é sinal de “porcaria”.

Mas quem bate perna, garimpa mesmo, sabe que isso não é verdade. Dá mais trabalho, mas vale muito a pena. E isso, que a gente sabe na experiência, tem sido comprovado por alguns estudos, o mais recente deles feito pela Universidade de Leeds, na Inglaterra, que diz exatamente isso: não é porque você paga mais em uma peça de roupa que ela vai realmente ser boa ou durar mais.

Esse estudo realizou um teste com 65 peças de roupas com preços que variavam de 5 a 150 euros: calças jeans, casacos e camisetas de marcas diversas daquele país. Todas elas passaram por testes de resistência, e durabilidade e os resultados comparados. A conclusão: no caso das peças testadas, preço não pode ser parâmetro para prever a durabilidade e qualidade das roupas. Várias das peças mais baratas tiveram um desempenho melhor do que outras que custavam até 10 vezes mais.

A gente sabe que muitas marcas, usando um discurso sobre design exclusivo, etiqueta (no caso, a própria marca em si) etc., superfatura os preços para ganhar mais. E muitas das peças não valem o preço cobrado. É possível constatar muito isso em shoppings, por exemplo.

A mesma peça vendida no Brás, em lojas populares, aparece em vitrines bonitas desses espaços com um preço muito mais alto. Eu mesma paguei R$ 150 reais por uma calça de moletinho para minha filha (e era no Royal, hein? Nem era num dos shoppings babadeiros da cidade) por causa do design, sendo que teria pago R$ 70 por qualquer outra muito parecida nas lojas populares da cidade. Pois a peça tinha um buraco no meio das pernas com 15 dias de uso.

Nesses tempos corridos, capitalistas, em que a gente mal consegue cuidar da gente, como achar tempo para bater perna e garimpar? Internet, gente. A gente encontra as mesmas lojas oferecendo suas peças no Instagram e em sites e geralmente por um preço ainda menor. Várias delas vendem pelo Whatsapp também e entregam em domicílio. Inclusive os brechós , vale a pena pesquisar!

Ana Paula Barcellos

Viciada em botas, sacoleira e brecholenta, trabalha com criação de joias artesanais e pesquisa de tendências. Tem foto da Suzy Menkes na estante e escreve essa coluna usando pijama velho, deitada no sofá enquanto toma café com chocolate. Me siga no Instagram @yo.anap e @experienciasdecabide

Foto principal: Pinterest

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(*) O conteúdo das colunas não reflete, necessariamente, a opinião do O LONDRINENSE.

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