Skip to content

Outono Dior: o universo sensato e “realista chique” de Maria Grazia Chiuri

Por de trás das cortinas dos bastidores de Outono 2019 da Christian Dior, ocorrido no último 3 de julho, a estilista Maria Grazia Chiuri pensa profundamente sobre o que diz respeito às roupas e como elas funcionam.

Não é sobre gostar ou não de uma roupa, mas o porquê dela existir, sua função. De acordo com a própria estilista: “Isso se tornou um assunto fascinante para mim após ter lido Bernard Rudofsky”, o escritor austro-americano e contemporâneo de Christian Dior. Foi ele que escreveu o ensaio “Are Clothes Modern?” (As Roupas São Modernas? em tradução livre), de 1947.

Nele, Rudofsky afirma que muitas convenções, por muito tempo consideradas inseparáveis ​​do vestuário e, portanto, nunca questionadas, são, na verdade, inúteis e até prejudiciais.

“O amigo da mulher” é um termo um tanto pejorativo na moda, ou melhor, foi. Isso sugere que a facilidade, a comodidade, vem à custa da beleza e do fascínio. De alguma forma, Chiuri decidiu resgatar esse conceito com sua coleção de alta costura, reconfigurando todo o seu significado e mostrando que sim, é possível ter beleza e conforto, conforto e requinte.

Ela usou a arquitetura, que era o principal tema de Rudofsky, como base. “A roupa é a nossa primeira casa: Nós vivemos nelas, elas devem ser confortáveis”, disse.

Mas é claro, estamos falando de alta costura, ser confortável não significa exatamente ser básico. Seu trabalho foi quase todo pensado em preto. E mesmo que tivesse feito a coleção toda de branco, o efeito teria sido o mesmo. Ao tirar a cor do foco, ela coloca em evidência a construção, silhueta e textura dos tecidos.

Como Rudofsky, Chiuri acredita na eficiência do design. Ela mostrou isso muito bem com os peplos (palavra do grego antigo que quer dizer “vestido de camiseta”) que abriram o desfile e as peças mais luxuosas e simples que se seguiram, como um caftan de chenille preto e casaco combinando, e um peplos de veludo preto de seda.

Mas isso não quer dizer que ela tenha negligenciado a famosa arquitetura da Dior. Quer dizer que as silhuetas de seu Bar eram simples e modernas, construídas sem recorrer a preenchimentos antiquados, mantendo essa noção de encantadora leveza, como se pode perceber nos tops finos de malha sob os corpetes de vestidos de noite e camadas de saias de malha de diferentes consistências para criar um efeito sobreposto.

Este foi o mais confiante desfile de alta costura de Chiuri até o momento, e também o mais requintado.

Em tempos caóticos e corridos, parece sensato que se fale sobre comodidade e a real função das roupas, que sim, é mostrar quem somos, como vivemos, mas, principalmente e sobretudo, é… Vestir. E vestir bem. O design é pensado para ser funcional – funcionar, para ser prático, para ser real, para se ajustar às nossas necessidades.

Fotos: Divulgação

Carlos Fabian S. Jimenez

20 anos, pisciano e estudante de Design de Moda na Universidade Estadual de Londrina.

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Designed using Magazine Hoot. Powered by WordPress.