Minions 2: A Origem de Gru pode ser cansativo para adultos

Por Marcelo Minka

Fim de semana com apenas um lançamento relevante nos cinemas, o novo filme dos Minions, aqueles seres engraçadinhos e amarelos, lacaios de vilões. Top Gun Maverick ainda dominando as salas da cidade, enquanto apenas uma sala exibe o maravilhoso Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo.

Dois fatores definem o lançamento dos Minions 2 somente agora: em primeiro lugar é o tratamento dado às criações cinematográficas que são sucesso, viram fruta madura que são espremidas pelos estúdios até não sobrar nada, nem semente. Após o sucesso dos filmes da franquia (Meu Malvado Favorito 1 em 2010, 2 em 2013 e 3 em 2017), veio a pandemia com todas as suas consequências que já conhecemos, e esta sequência teve que esperar. Em segundo lugar, uma conjunção de fatores; as salas de cinema, a cada semana que passa, estão recebendo um público cada vez maior, estamos no meio do verão americano, estamos nas férias escolares brasileiras do meio do ano letivo.

Mas vamos ao Minions 2: A Origem de Gru. O filme possui a pegada das produções antecedentes, traz ótimas piadas, personagens carismáticos e um visual estonteante. O próprio título do filme já traz um spoiler, a origem de Gru, o vilão-bonzinho-narigudo. Sem ter para onde ir, evitando mais do mesmo, os produtores decidiram investir em uma trama ‘prequel’, aquele prelúdio do tipo Star Wars, o que vem antes. Em Minions 2 conhecemos o garoto Gru no auge da sua adolescência (voz de Leandro Hassum na versão brasileira).

O que se pode dizer de positivo do filme é que ele é incrivelmente colorido, tem uma deliciosa trilha sonora e momentos frenéticos a cada 15 minutos, ou seja, seus filhos menores de 12 anos vão adorar. Os adultos também vão gostar, mas ficamos com aquela sensação estranha depois que o filme acaba: por que assisti isso? Fica um buraco, como se faltasse alguma coisa. Então sejamos francos, o público alvo do filme são as crianças, e não as de todas as idades.

E aí podemos notar algo realmente preocupante. No filme não precisamos nos concentrar, pensar, raciocinar, a trama é simples e simplória. Vem à cabeça todas as discussões de burnout e de TDAH. Parece que as produções atuais estão utilizando cada vez mais o excesso, a escala excessiva, a velocidade, as luzes, tudo para se aproximarem do nosso cotidiano extenuante, fazendo com que tenhamos a desatenção do dia a dia enquanto estamos assistindo ao filme, entramos no fluxo do comum. Acho que é por isso que saímos meio cansados do cinema.

Mas, enfim, isto é só um desenho animado, não é? E para onde vai a franquia Minions? Para o caminho que tiver mais verdinhas.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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